Artistas analisam memórias e buscam questões íntimas em série de solos online

Publicado em 2/6/2021
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Uma relação de abuso contada em meio a um programa culinário, o processo de silenciamento da voz feminina, dores ancestrais e racistas dentro de uma família, o resultado na vida adulta do processo de bullying, as angústias do contemporâneo em meio a memórias da infância, o processo de luto, as questões da maternidade e o difícil processo do amadurecimento frente a uma tragédia familiar são os temas que movem os oito solos que compõem (Das) Tripas (Coração) – Solos de Confinamento, espetáculo que chega ao universo digital nesta sexta-feira, 04.

Sob a direção de Nelson Baskerville, o espetáculo enfileira textos autorais de oito artistas (sete mulheres e um homem) em projeto virtual que busca discutir os efeitos do isolamento e as questões internas provocadas pela pandemia do Coronavírus.

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Tendo a vida e a morte como ponto de partida, o espetáculo reúne Carolina Borelli, Estrela Straus, Júlia Ianina, Ligia Fonseca, Maria Eduarda Pecego, Pri Calazans, Tamara Maria Cardoso e Ricardo Nash em obra que cumpre curtíssima temporada até o dia 13 de junho, com sessões de sexta-feira a domingo.

Transmitido via Zoom, o espetáculo cumpre sessões às 20h (sextas e sábados) e às 19h (domingos) com ingressos a R$ 20,00. Confira abaixo a relação dos espetáculos apresentados ao longo das duas semanas:

Barba Azul, de Ligia Fonseca 

A peça se passa em um programa televisivo de culinária, onde a apresentadora começa a contar, através dos ingredientes e modo de preparo da receita, a história ancestral “barba azul”. Trata-se, na verdade, de um pano de fundo para revelar uma relação de abuso sofrida por ela. Os ingredientes têm os nomes dos personagens do conto, que, por sua vez, estão no lugar dos personagens reais da história vivida. Cada parte do conto conta um pouco mais sobre o que ela, até então, escondia.

Maria Velata, de Maria Eduarda Pecego

Uma Maria dentre tantas da mesma família. Em comum, elas têm o silenciamento da voz e do corpo nesse mundo onde reina soberano o patriarcado. Querendo afastar qualquer indício de semelhança, qualquer possibilidade de ser (mais uma) Maria, a atriz dança outra mulher possível, como uma Dakini, uma das figuras mais ancestrais que simboliza a Mulher Selvagem. 

Nomes Sobre Mim, de Ricardo Nash 

O bullying na escola e seus possíveis desdobramentos, quando aquele que sofreu bullying se torna adulto e pai. O autor/ator revisita momentos da infância e juventude e traz à tona também a relação com seu pai e sua mãe. 

Eu sou negra?, de Pri Calazans

Uma breve melancolia da avó paterna e sobretudo das dores guardadas dentro de gavetas reabertas na pandemia. O pensar nos ancestrais, nos olhares, nas formas, no silêncio de um corpo que supera o mito da fragilidade, possui uma marca de estereótipo e exclusão.

O embranquecimento de uma trajetória em confusão com a própria existência. Eu sou negra é um resgate da própria existência, através do pensamento espirituoso de uma avó que odiava preto.

Cortei o Dedo, de Tamara Maria Cardoso

Memórias de infância, temperadas com sentimentos e angústias, onde o estado de confinamento é a única opção de liberdade. No entanto, o passado é uma herança da qual não se pode abdicar. 

A vida é sonho ou o contrário?, de Júlia Ianina

Em março de 2020, um dia antes de entrar em isolamento social, Julia Ianina perdeu sua mãe. Dentro de casa, em uma noite estranhamente longa, a atriz relata a vertigem de sua experiência de luto em confinamento.

Romã, de Carolina Borelli

Sobre uma mulher que converte a memória em um corpo que sangra e dança, na tentativa de reconciliação com a maternidade. A náusea da filha é reconhecida na náusea da mãe: os sonhos abortados de ambas. Deméter, Perséfone. E o gosto de Campari na boca.

Mãe, eu sobrevivi!!!, de Estrela Straus

Hoje Estrela chegou aos 36 anos, a famigerada idade com a qual sua mãe se jogou da janela no dia seguinte ao seu décimo primeiro aniversário. Numa tão sonhada visita, Estrela recebe sua mãe em seu apartamento e conta a ela sobre as transformações no mundo desde então e sobre como a arte foi o caminho que a resgatou desde criança dessa tragédia.

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