Coletivo Labirinto em Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul | Foto: Roberto Setton
Coletivo Labirinto em Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul | Foto: Roberto Setton

Projeto criado pelo paulistano Coletivo Labirinto em meados de novembro para retomar pesquisas acerca da dramaturgia latinoamericana, Histórias da Nossa América retoma a sua programação a partir do dia 20 de janeiro, quarta-feira, com a leitura encenada de IF – Festejam a Mentira, peça escrita em 2018 pelo dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón.

Narrando as dificuldades de uma família de dar um enterro decente para o avô, o espetáculo contará com elenco formado por Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez, Fábia Mirassos, Nilcéia Vicente e Wallyson Mota sob a direção de Carlos Canhameiro. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados perante um cadastro em formulários disponibilizados pelo Coletivo em suas redes sociais antes de cada leitura.

Confira abaixo a programação agendada até março de 2021 do projeto Histórias da Nossa América:

20/01 – IF – FESTEJAM A MENTIRA, de Gabriel Calderón – Uruguai (2018); direção: Carlos Canhameiro

Uma família perde o avô e terá dificuldades – sempre novas, sempre diferentes – para lhe dar um enterro decente. Nós, os sobreviventes, todos aqueles que ousam andar e viver nesta terra que enterra os milhões de mortos das gerações passadas, carregamos a herança de erros e problemas não resolvidos, somos a acumulação histórica de tudo que é negativo e de tudo que é positivo. Construímos um prédio grande com avós e bisavós mortos e moramos lá, sem saber dos horrores que cercam nossas paredes.

27/01 – SOPA DE TARTARUGA, de Ana Melo – Venezuela (2017); direção: Rudifran Pompeu

Traz a história de oito venezuelanos que se encontram uma noite em um bistrô parisiense. Cada um deles personifica – à sua maneira – a Venezuela e a carrega como um casco de tartaruga. Mas uma série de circunstâncias tensas e divergências os fará servir algo que não esperavam encontrar em suas mesas naquela noite. A obra é uma tragicomédia sobre a migração venezuelana e suas contradições, esperanças e frustrações.

03/02 – A REPÚBLICA ANÁLOGA, de Aristides Vargas – Equador (2010); direção: Dagoberto Feliz

“A república análoga” é uma comédia que conta a história de um grupo de intelectuais que, contrários à realidade que vivem em seu país, decidem formar uma nova república. Esse grande projeto será constantemente prejudicado por pequenos acidentes, entre cômicos e patéticos, que os farão enfrentar a realidade e as dificuldades para construir o país com o qual sempre sonharam.

24/02 – SÊMEN, de Yunior García Aguilera – Cuba (2012); direção: Joana Dória

Parte do decálogo “As 10 Pragas”, a trama de Sêmen gira ao redor de uma família disfuncional – uma mãe que já não está mais, um pai anacrônico e duas filhas que veem o assassinato e a prostituição como formas para tentar sair do país. A violência e o crime constituem um denominador comum da ação, que evidencia discussões e pontos sociais delicados. 

03/03 – LAPEL DUVIDE, de Vanessa Vizcarra – Peru (2017); direção: Rubens Velloso

Lapel nasceu com uma condição específica: toda vez que olha para o vazio, sente vontade de se lançar. Não se sente atraído pela morte, mas pela queda. Ele vive com essa condição, evitando todos os acidentes possíveis, mas está se tornando cada vez mais difícil. Lapel vive em uma cidade que está sob um regime político autoritário, a população está insatisfeita, entretanto é difícil rebelar-se.

10/03 – VIENEN POR MI, de Claudia Rodriguez – Chile (2018); direção: Janaína Leite

A obra nasce da necessidade de conquistar uma voz gestada há mais de 20 anos, fruto de um devir da artista transgênere Claudia Rodriguez cujo objetivo é incentivar a biografia de travestis, transgêneros e transexuais, fazendo disso uma ferramenta política para quem ainda não disse nada. “Vienen Por Mi” é um texto de poesia e denúncia, que traz um convite para perturbar a autoridade vigente de forma rude e coreográfica. É um ensaio inesgotável entre arqueologia, maquiagem e filosofia travesti, para propor metáforas que produzem pontes entre imagens e textos de xamãs, deusas, virgens, santas e loucas, num único corpo. Com: Fábia Mirassos.