Eme Barbassa estreia online peça-resposta resultante de ataques sofridos nas redes sociais

Publicado em 27/5/2021
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Em junho de 2020, após a publicação de uma entrevista no jornal O Globo para divulgar a temporada do experimento cênico digital Phantasmagoria, a atriz e diretora paulista Eme Barbassa sofreu ataques gordofóbicos e transfóbicos nas redes sociais do jornal. O episódio marcou a artista de tal forma que a inspirou a criar um novo espetáculo, também pensado para o universo digital.

Antropotomia ou A Delicadeza nos Tempos do Ódio é a obra-resposta da artista não apenas àqueles ataques, mas a todo o cenário social que envolve o preconceito com mulheres trans e gordas. 

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“Voltar a mexer nessas mensagens e nos ataques gordofóbicos e transfóbicos que recebi foi um processo de desnudamento. Me senti vulnerável. Brincando com o perigo. E isso de alguma forma me empoderou. Não quero responder ao ódio dos outros com mais ódio. Isso não é meu. Esse ódio não está em mim. Quero responder ao ódio com arte, delicadeza, provocação”, explica a artista que põe em cena seu manifesto a partir deste domingo, 30, com transmissão nas redes sociais do Centro Cultural da Diversidade, em São Paulo.

Na obra, uma mulher trans é capturada por cientistas para que estudem o motivo de ela ser imune a um vírus que está dizimando a população. A peça flagra a rotina diária da personagem, incluindo exames, lives numa plataforma de entretenimento e a visita de um cuidador, vivido pelo ator, bailarino e cantor Davi Tostes.

“É um meta-meta-teatro-audiovisual que se passa dentro de uma rede social. E é nesta plataforma que minha personagem se vê obrigada a cumprir cotidianamente um ritual repetitivo de publicações que emulam uma alegria falsa e que levam a um profundo esgotamento. E, a partir daí, suas lembranças que haviam sido deletadas pela plataforma voltam à tona. É uma linguagem híbrida que mistura a urgência do teatro, imagens impressionantes e manipuláveis das redes sociais, num improvável formato audiovisual pós dramático”, conceitua a artista. 

Mais do que uma obra-resposta, Antropotomia é também um estudo sobre o teatro e o lugar de uma figura, como denomina a artista, dissidente nas redes sociais. “O formato digital nos permite brincar com as inúmeras possibilidades de comunicação, além de democratizar muito o acesso a um conteúdo artístico. Como artista dissidente (uma mulher gorda, trans e feminista) me interesso também em pensar qual é o lugar que ocupamos numa rede social que prioriza os estereótipos de gênero e de beleza”.

Barbassa atenta para o fato de que, embora esteja produzindo um espetáculo em uma linguagem digital, ainda se aproxima do teatro convencional e “analógico” por sua forma. “O fato de estarmos no palco com todo aparato técnico, iluminação, figurino, cenário, maquiagem e contracenação se aproxima muito da linguagem convencional do teatro, mas o fato da personagem ser constantemente gravada e exposta numa plataforma virtual de entretenimento faz com que nossa fisicalidade se expanda e acrescente novas camadas ao trabalho”.

Em pleno momento de ebulição criativa, a artista busca olhar para trás durante a quarentena para compreender sua própria trajetória até este momento. “Desde que a pandemia começou, consegui estabelecer parcerias interessantes que me propiciaram publicar e estrear trabalhos como Phantasmagoria, Phantasmagoria II, Social Brecht, Balada de Gisberta para as redes sociais em comemoração ao Dia da Visibilidade Trans no Brasil, além de conteúdos com a produtora DR Relacionamentos que repercutiram debates de gênero e gordofobia”, finaliza.

Antropotomia ou A Delicadeza nos Tempos do Ódio cumpre única apresentação nas redes do Centro Cultural da Diversidade, transmitido diretamente do palco localizado no Itaim Bibi, em São Paulo. A sessão é gratuita e acontece às 19h.

Antes, na sexta-feira, 28, o jornalista e apresentador Pedro Leão media um bate-papo online com Barbassa, Davi Tostes e a diretora Mika Lins, responsável pelas provocações à obra. O bate-papo acontece também às 19h no perfil oficial do CCD.

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