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Narrando encontro fictício entre Freud e C.S Lewis, peça propõe análise a convicções religiosas e crença em Deus

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Narrando encontro fictício entre Freud e C.S Lewis, peça propõe análise a convicções religiosas e crença em Deus
A Última Sessão de Freud | Foto: João Caldas

Não existem evidências de que o pai da psicanálise Sigmund Freud (1856-1939) tenha, de fato, enviado uma carta convidando o professor, crítico literário e ex-ateu C.S Lewis (1898-1963) para um encontro em sua casa como forma de aparar arestas surgidas após uma série de artigos de Lewis criticando a visão dura do psicanalista acerca da religião e da figura de Deus. Tampouco é possível saber se Lewis aceitou o convite.

Influente defensor da fé baseada na razão, o teólogo irlandês, entretanto, sempre se mostrou, em seus artigos e publicações literárias, apto a um debate com o psicanalista tcheco, que chegou a responder indiretamente alguns de seus questionamentos ao longo da década de 1930.

Estas mensagens cifradas trocadas ao longo de pelo menos uma década foram compiladas em Deus em Questão, livro em que o psiquiatra norte americano Armand M. Nicholi Jr. (1928-2017) coloca lado a lado textos em que tanto Lewis quanto Freud põem em xeque assuntos como a religião, o amor, a devoção religiosa e, claro, a figura de Deus.

Lançada em 2005, a compilação inspirou o dramaturgo norte americano Mark St. Germain a escrever A Última Sessão de Freud, espetáculo em que coloca, pela primeira vez, o pai da psicanálise e o teólogo e crítico literário frente a frente para discutir suas visões acerca da religião e colocar em debate a presença de guerra em momentos como uma grande guerra.

Ambientado durante o avanço do exército de Adolf Hitler (1889-1945) sobre a Inglaterra para onde Freud fugiu após o início da ascenção nazista na Áustria, o espetáculo chegou aos palcos da Off-Broadway em 2011, e ganhou usa primeira montagem brasileira ainda em 2013. 

Mais de uma década após a estreia nos palcos norte-americanos, A Última Sessão de Freud volta à cena tupiniquim em encenação dirigida por Elias Andreato e estrelada por Odilon Wagner (Freud) e Cláudio Fontana (Lewis).

Marcando a retomada da programação presencial do Itaú Cultural, em São Paulo, o espetáculo – traduzido por Clarisse Abujamra – cumpre temporada de 03 a 27 de março, com sessões de quinta-feira a domingo, às 20h (quinta a sábado) e às 19h (domingos). Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados através do site oficial do Itaú Cultural.