Pascoal da Conceição - Foto: Divulgação
Pascoal da Conceição - Foto: Divulgação

A pandemia do novo Coronavírus, que fechou teatros e espaços culturais ao redor do mundo, teve efeitos interessantes no teatro brasileiro. O primeiro – e talvez mais marcante – tenha sido o surgimento do teatro digital e das lives cênicas, que não apenas têm servido como uma espécie de bote para a sobrevivência (e investigação) artística e – em alguns casos – financeira de artistas.

Já o segundo efeito – este menos permanente e constante – é a eventual repetição indiscriminada de encenações e leituras dos mesmos textos por diferentes artistas quase em paralelo. Praticamente impensável no cenário físico e profissional do teatro tupiniquim – por limitações dos direitos autorais de montagem -, a encenação paralela e profissional de textos se tornou possível no universo online por uma série de questões que envolvem ainda a (frágil) legislação de direitos no mundo autoral, e também as negociações que permitem apresentações únicas e gratuitas de obras ao redor do mundo.

Guardadas as devidas proporções (como o campo do domínio público) é por essa seara que passeia Os Malefícios do Tabaco, monólogo escrito pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904) em 1889 e conhecido por estudiosos da obra do autor como uma de suas principais “peças-piada”, e que chega ao universo online hoje, 13, interpretado pelo ator Pascoal da Conceição, dois dias após cair na mesma rede digital pelas mãos de Cássio Scapin.

Apresentado em sessão dentro do projeto Teatro Vivo em Casa neste sábado, 11, a encenação de Scapin foi a primeira incursão do ator pelo espetáculo de Tchékhov, enquanto a apresentação agendada para hoje, 13, dentro do projeto #EmCasacomoSesc, é a segunda investida de Pascoal da Conceição no texto russo.

Apresentado desde 1996, o espetáculo contou com direção original do russo Vadim Nikitin, e ressurge agora com nova direção do próprio Pascoal, que se apresenta às 21h30 no canal oficial da Rede Sesc São Paulo.