A Festa de Aniversário para o Amigo que foi para Dublin - Foto: Divulgação
A Festa de Aniversário para o Amigo que foi para Dublin - Foto: Divulgação

Linguagem que vem se desenvolvendo como uma espécie de movimento desde antes da pandemia do novo Coronavírus e o surgimento do chamado teatro digital e suas variações online, a performance de negação a antigos dogmas do teatro asfaltou caminho profícuo para as experimentações dramatúrgicas e cênicas de nomes como Janaína Leite, Márcio Abreu e Grace Passô, entre outros.

Numa espécie de investigação sobre um possível meio de recriar as estruturas da linguagem teatral, artistas contemporâneos vem se lambuzando das possibilidades do que passou a se chamar o “não teatro” para investigar outras maneiras de se produzir – principalmente – dramaturgia.

É por essa seara que o Coletivo Inominável caminha com firmeza desde seu último experimento cênico pré-pandêmico, o celebrativo Inhaí – Coisa de Viado (2019). Na obra, escrita por Fernando Pivotto, sob a direção de Cezar Zabell, o grupo percorreu caminhos literais para investigar as nuncances de ser um homem homossexual numa grande metrópole do século XXI, em obra com premissa mais ambiciosa do que sua execução.

Em sua estreia no universo digital com o experimento cênico A Festa de Aniversário para o Amigo que foi para Dublin, o Coletivo repete os equívocos da encenação passada em uma obra de premissa igualmente ambiciosa e execução igualmente irregular. 

Ao propor uma grande festa para celebrar o aniversário do ator, educador e drag queen Bito Florz, o Coletivo busca explorar uma linguagem transmídia com ações antes da sessão (proposta de drinks com receitas, playlist do Spotify etc.), e investigação das possibilidades cenográficas de uma plataforma de vídeo para reuniões remotas como o Zoom. O tempero apocalíptico surge quando as personagens se deparam com apagões ao redor do planeta e passam a explorar as possibilidades de um iminente fim do mundo.

Em menos de uma hora, encenação e dramaturgia flertam com aspectos ininteligíveis e, ao mesmo tempo, pueris em produção capitaneada por Alexia Twister, Cezar Zabell, Marcela Abeid e Renata Flores, além do próprio Florz, que rendem pouco em cena sem explorar possibilidades cênicas, ou mesmo propor uma profundidade para a obra.

A direção de Pivotto (que assina o texto ao lado de Luan Carvalho) dá atenção excessiva às investigações plásticas sem se impor com  mesma força e delicadeza que imprimiu sua assinatura na bonita montagem de A Casa de Bernarda Alba (2017), ponto alto na trajetória do Coletivo Inominável, que em A Festa de Aniversário para o Amigo que foi para Dublin se perde nas experimentações da linguagem de um movimento de “não teatro” que, até o momento, não disse a que veio.

SERVIÇO:

A Festa de Aniversário para o Amigo que foi para Dublin

Data: 11 a 26 de setembro (sextas e sábados)

Local: Zoom

Horário: 20h

Preço do ingresso: a partir de R$ 15,00