Driblando irregularidades, Human Animals se sustenta por conexão sólida entre direção e elenco

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Quando estreou em 2016 no Royal Court Jerwood Theatre Upstairs, em Londres, Human Animals, da dramaturga escocesa Stef Smith, era obra absurda que pretendia imaginar um futuro distópico com base em uma pandemia que trancaria as pessoas em suas casas enquanto lobos famintos estavam a solta na cidade.

Um ano antes, a temática já havia sido abordada, guardadas as devidas proporções, pela dramaturga mineira Silvia Gomez, que imaginou uma espécie de epidemia canina ao escrever Mantenha Fora do Alcance do Bebê, encenado por Eric Lenate e estrelado por Débora Falabella.

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A montagem brasileira de Human Animals, que cumpriu temporada online entre os dias 10 e 26 de março, deixou latente a impressão deixada pela publicação do registro com a peça de inglesa pouco após sua estreia: o texto de Gomes é menos irregular que o de sua colega escocesa.

Adaptado e dirigido por Michelle Ferreira, o texto de Smith ganhou montagem fluente sustentada pela interessante proposta cênica da diretora e pelo bom elenco formado por Noemi Marinho, Luís Mármora, Clayton Mariano, Flow Kountouriotis, Débora Gomez e Réggis Silva.

Embora opte pela linguagem prosaica da relação dos atores com a plataforma Zoom, Ferreira aproveita de todas as possibilidades que a ferramenta proporciona, mergulhando a fundo nas investigações tecnológicas sem jamais descaracterizar o fazer teatral e flertando diretamente com outros espetáculos que também deram bem sucedidos vôos rasantes na linguagem, entre eles o seminal Pandas… ou Era uma vez em Frankfurt.

O bom entrosamento do elenco também contribui para valorização do texto, impedindo que Human Animals resulte em espetáculo meramente protocolar acerca de uma pandemia contemporânea. O jogo entre Débora Gomez e Réggis Silva injeta alguma poesia na obra, estabelecendo comunicação imediata com o público.

É interessante também a relação estabelecida entre Luís Mármora e Clayton Mariano, assim como os micro solos protagonizados por Noemi Marinho (que divide algumas de suas cenas com Flow Kountouriotis), responsável pela bem vinda dose de humor sardônico – uma de suas marcas reconhecíveis – na obra.

Human Animals, a despeito do texto irregular e já anacrônico, é obra que resulta interessante ao se alicerçar, principalmente, na conexão entre a (boa) direção e o elenco, e, se não dá passo adiante na investigação digital, caminha por estrada segura sem jamais se afastar demais do fazer teatral.

SERVIÇO:

Este espetáculo está fora de cartaz.

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