Em tom naturalista, Onde Estão as Mãos estabelece conexão de delicadeza com plateia isolada

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Em meados do mês de março, quando teatros e espaços culturais deram por encerradas suas programações para acatar as determinações de isolamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma série de artistas da música e do teatro decidiram não apenas tirar seus espetáculos de cartaz, mas levá-los para o mundo virtual a fim de incentivar o público a aderir à quarentena preventiva de contenção do novo Coronavírus.

A partir de então, espetáculos – em sua maioria, solos – concebidos para o palco foram sendo adaptados, por meio de leituras ou de encenações menos expansivas, para as redes sociais através de lives em redes como Instagram e Youtube.

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Passados quase três meses do processo de isolamento, uma nova corrente de espetáculos adaptados ao mundo virtual passa a surgir através de espaços como o Zoom, plataforma de chamadas de vídeo que permite a entrada de múltiplas pessoas, idealizado para reuniões remotas.

Pensado especialmente para a plataforma, Onde Estão as Mãos, Esta Noite, solo dramático estrelado por Karen Coelho sob a direção de Moacir Chaves, surge para engrossar o time dos espetáculos virtuais.

Encenado desde a última quinta-feira, 28, o espetáculo, com texto de Juliana Leite, apresenta o recorte da vida de uma mulher durante seu processo de isolamento social. Friccionada, a dramaturgia de Juliana Leite poderia soar protocolar ao pôr a personagem numa espécie de narração detalhada sobre o dia a dia de sua rotina quarentenada.

Contudo, em ritmo alucinante, a dramaturga escapa das armadilhas geralmente presentes numa dramaturgia criada para analisar o tempo presente. Leite aproxima sua obra do público ao fazê-lo se enxergar como uma espécie de espelho da roda viva que se tornou o dia após dia da personagem principal, resultando cativante.

Se montado num palco, talvez o texto ainda crescesse frente o ótimo desempenho de Karen Coelho. Uma das atrizes mais completas de sua geração, Coelho constrói personagem de tom melancólico e desesperançoso. A medida que o espetáculo evolui ao longo de 30 minutos, a atriz leva sua personagem ao ápice de um desespero com uma interpretação contida frente a uma câmera estática.

E é alicerçado no trabalho destas duas profissionais que Moacir Chaves constrói a (fluente) encenação. O diretor se priva de qualquer interferência para apoiar a montagem online apenas no texto e na forma que Coelho saboreia as palavras de tom crescentemente frenético.

É verdade, contudo, que a direção também se aventura pouco nas possibilidades disponíveis na plataforma. Enquanto obras como Pandas… ou Era uma vez em Frankfurt deita e rola na experimentação multimídia proposta pelo experimento cênico dentro de uma plataforma digital, Onde Estão as Mão, Esta Noite soa mais protocolar numa experiência que poderia ser levada a tons menos naturalistas.

Mas este é detalhe pequeno frente a proposta nua e crua de basear a encenação no ótimo trabalho conjunto de uma atriz e de uma dramaturga que, no fim, estabelecem pontes diretas com um público representado (e espelhado) por personagem em busca de antídotos antimonotonia para os dias seguidamente iguais. Tal qual o público.

SERVIÇO:

Onde Estão as Mãos, Esta Noite

Data: 28 de maio a 07 de junho (de quinta-feira a domingo)

Local: Aplicativo Zoom

Horário: 20h

Preço do ingresso: Doação solidária para a campanha da APTR

Contato através do e-mail: mosaoteatro@gmail.com

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