Obra de entressafra dramatúrgica, Jimmy volta a florescer faceta de intérprete em Luccas Papp

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Ator e dramaturgo com produção incessante no mercado cultural nos últimos anos, Luccas Papp passou por momentos sombrios que o obrigaram a fazer pausa para autoanálise emocional ao longo de 2020, envolto em perdas e medos refletidos (também) na pandemia do Coronavírus.

Contudo, nem mesmo a pausa estratégica tirou do autor o ímpeto da criação, que lhe rendeu espetáculo de fôlego no universo online ao longo do último ano (o solo confessional A Ponte), e mais dois em 2021, um contando com a presença do público A Bicicleta de Papel, estrelada pelo autor ao lado de Leonardo Miggiorin com sessões no Teatro das Artes aos domingos, e o solo Jimmy, em temporada online encerrada no último sábado, 27.

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Narrando a história de um rapaz em meio a um julgamento que definirá seu destino, o espetáculo é obra em que o ator aborda o universo LGBTQIA+ traçando o perfil de uma personagem marginalizada por se saber homossexual desde a infância. Sob a direção de Matheus Papp, Jimmy resulta como título protocolar na obra de Papp.

Embora emule bonita e (até) sólida construção de uma personagem à margem da sociedade, o espetáculo requenta fórmulas da dramaturgia do autor, que já explorou temas como a marginalidade, as dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBT, o bullying e mesmo a relação com a morte com muito mais fluência em obras anteriores, sobretudo em sua obra prima jovem 2 Palitos (ou A Fantástica Insensatez da Existência).

Jimmy ressoa a construção dramatúrgica desta que, até agora, é a melhor obra  da carreira de Papp, e que já ecoou outros universos em obras como O Último Mafagafo, O Ovo de Ouro e O Canto de Ninguém, e promoveu uma manutenção de suas temáticas clássicas em A Ponte e A Bicicleta de Papel.

O que faz de Jimmy um solo sedutor, contudo, é a perfeita conexão entre a faceta de ator de Papp e a direção de Matheus Papp. O ator encontra na personagem título um desafio que lhe tira sua melhor interpretação desde a tragicomédia Nunca Fomos tão Felizes, de Dan Rosseto.

Embora, à primeira vista, apele para muletas interpretativas na condução e construção de sua personagem, Papp faz sobressair a bonita fragilidade de sua personagem baseando toda sua performance muito mais no olhar do que necessariamente nos movimentos que, na pele de outro intérprete, ressoariam como mera caricatura de um homem jovem gay.

Papp, contudo, dribla as armadilhas mesmo quando se encaminha para desfecho previsível dentro da obra do autor. É o ator que segura a barra bem amparado pela (boa) direção de Matheus Papp, que opta por encenação menos previsível.

O diretor constrói bom trabalho focado nas possibilidades dos experimentos digitais, fundindo o clássico da linguagem teatral produzida no século XXI e funde com movimentos pouco óbvios tanto de câmera quanto de luz para criar não apenas proximidade, mas dinamismo que valoriza a obra e permite boas possibilidades para o registro de Papp.

Mérito da direção de vídeo de Fernanda Abreu e o visagismo de Giulia Abreu, que intensificam a experiência e fazem de Jimmy encenação mais ambiciosa do que o texto faz presumir, fazendo da obra bom espetáculo de fôlego que, se não dá passo adiante na obra dramatúrgica de Luccas Papp, volta a colocá-lo na linha de frente também como um dos grandes atores de sua geração.

SERVIÇO:

Este espetáculo está fora de cartaz

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