Roberto Alvim | Foto: Lenise Pinheiro
Roberto Alvim | Foto: Lenise Pinheiro

O ex-diretor teatral e atual diretor do Centro de Artes Cênicas da FUNARTE, Roberto Alvim, vem ganhando, desde que assumiu o cargo, em junho e 2019, intensa atenção por meio da imprensa e da classe teatral como um todo. Claro. O ex-ator e ex-dono do Clube Noir, em São Paulo, atingiu um patamar frente a sua carreira que faz dele alvo de lógico holofote midiático, fazendo com que suas falas repercutam para além do que realmente valem.

Ao atacar gratuitamente a atriz Fernanda Montenegro em prol de uma moral duvidosa e posicionamento político contrário do que parece ser o da grande dama das artes cênicas no Brasil, Alvim apenas se põe em alinhamento com seu ídolo, o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, que tal qual a cria, não respeita a ética e a liturgia do cargo.

Alvim, por sua vez, falta ao respeito com todo e qualquer componente da classe artística que se oponha a sua posição política, sublinhada por uma crença religiosa mais à evangélica. Em seu combate contra tudo aquilo que considera o Mau, o diretor travestido de político não se atenta à falta de respeito ao próprio cargo que ocupa. Ao ganhar réplica do Presidente da Funarte, Miguel Proença, as chances de Alvim amaciar o discurso são mínimas, e as chances do presidente ser exonerado, máximas.

Afinal, o que importa é o fato de que Alvim, dentro do que representa a cultura do atual governo, segue bem os dogmas digitais de seus colegas e de seu poderoso chefão. Ao atacar Fernanda, Alvim construiu ótima máquina para sua relevância egocêntrica. Ainda que os robôs cibernéticos que acompanham seu perfil estejam prontos para os elogios, é a figura dos detratores que lhe interessa.

O diretor lança a isca, que é prontamente mordida pela classe, principalmente a teatral. Ao ofender Fernanda Montenegro, o diretor deu um passo mais ambicioso em sua jornada em busca de relevância. E conseguiu o que queria: a atenção de todos que, com o passar do tempo, vão ser responsáveis pelo sustento de sua imagem ao rebater cada declaração esdrúxula.

Frente a importância de Fernanda Montenegro, Alvim, de fato, é irrelevante para a história das artes cênicas no Brasil, entretanto, enquanto se cair na armadilha de revidar tudo o que ele diz, e armar a fogueira virtual, a vitória ainda será sua. A partir do momento que sua irrelevância sair do campo real e atingir o virtual, provavelmente nem mesmo um segundo Leite Derramado – uma de suas peças mais pretensas e supervalorizadas – deverá ser capaz de reerguê-lo.

Roberto Alvim é uma bobagem, e suas declarações irrelevantes. Mas incendeiam a fogueira das paixões e vaidade da classe cultural nas redes sociais, e enquanto o fogo arder, no melhor estilo Marco Feliciano de ser, Alvim vai crescer.

Este artigo é de total e completa responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião do veículo.

Fernanda Montenegro | Foto: Divulgacao
Fernanda Montenegro | Foto: Divulgacao