Sesc SP
Sesc SP

A década de 2010 também foi importante para a formação do que se acostumou a chamar de polos de resistência. Espaços antes considerados intocáveis passaram a ser ameaçados por motivos que variam da briga política até a especulação imobiliária e a contenção de gastos na política econômica e cultural do governo federal e do Estado.

Em meio a essa guerra, espaços culturais como o Sesc SP se tornou um dos mais ameaçados, principalmente neste ano de 2019, com os cortes e ameaças ao Sistema S, proferidos pela equipe econômica do presidente Jair Messias Bolsonaro capitaneada por Paulo Guedes.

Com o corte prometido (e, em parte, cumprido), o Sesc diminuiu a quantidade de contratações e passou a apostar em artistas e espetáculos menos ligados ao mainstream. O palco que antes abrigava shows de Gal Costa, Maria Bethânia e outros nomes como Adriana Calcanhotto, Zizi Possi e Erasmo Carlos precisou pisar no breque.

É verdade que grandes shows, e até grandes espetáculos, ainda fazem parte do cardápio servido pelo Sesc SP, mas dificilmente investidas milionárias como a importação de espetáculos com os do encenador norte americano Bob Wilson se repetirá tão cedo, ainda que a qualidade (a despeito da curadoria por vezes cambaleante) não esteja ameaçada.

Na sombra do Sistema S (que também abrange o Sesi), outro espaço que também esteve às vias de fechar as portas foi a Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro. Por um corte de gastos da política econômica do Estado de São Paulo, governado por João Dória (PSDB-SP), a Oficina, que abriga oito salas de espetáculo, com programação gratuita, quase fechou as portas e acabou se tornando um segundo polo de resistência para artistas e grupos que, com ou sem o auxílio de editais de patrocínio, escolhem ensaiar e estrear seus espetáculos no espaço.

Outros teatros e polos de cultura na cidade, ao longo da década, se tornaram sinônimos de resistência contra a bolha imobiliária e a investida do grande mercado. Lugares como o Teatro da Rotina, o Cemitério de Automóveis  esmo o Club Noir, de Roberto Alvim e Juliana Galdino, se sobressaíram na disputa. Alguns sobreviveram, outros foram fechados, como o Teatro Augusta, que encerrou suas atividades por problemas administrativos e não retornará a abrigar espetáculos.