11 Selvagens | Foto: Victor Otsuka
11 Selvagens | Foto: Victor Otsuka

Teatro inaugurado em 2013 com a encenação de Navalha na Carne, clássico de Plínio Marcos, sob a direção de Pedro Granato, o Pequeno Ato se tornou uma espécie de point do teatro jovem e em construção na cidade de São Paulo, dialogando com companhias como a Mungunzá e seu espaço de Contêiner.

Contudo, entre 2015 e 2019, Granato compilou, numa bem sucedida trilogia, o perfil do jovem brasileiro contemporâneo e seu envolvimento com o cenário político do país. Em Fortes Batidas, a política parecia apenas um pano de fundo distante frente à discussão acerca das formas frívolas e voláteis de se safar da solidão.

Usando o ambiente claustrofóbico de uma balada como cenário, o espetáculo narra, através de pequenas cenas, a tentativa de um grupo de jovens de driblar a solidão com bebida, música alta e novos relacionamentos fugazes. O espetáculo foi um sucesso e abriu caminho para, em 2017, a encenação de Onze Selvagens se sobressair como uma das melhores do ano.

Com clara referência ao filme argentino Relatos Selvagens, Granato encenou o ápice da natureza humana quando friccionada por motivos externos. Tomando como base o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e seus enlaces, a obra voltou a analisar o comportamento do público jovem e como se porta frente a temas como homofobia e machismo.

Por fim, dialogando com o crescimento galopante do conservadorismo no Brasil, Distopia Brasil (2019) trabalha com temas como religião e auto responsabilidade para criticar o avanço da censura de costumes frente à revolução apresentada na nova forma de viver em sociedade projetada pelo público jovem. 

Com uma projeção pessimista, a peça põe em cheque o Brasil pensado pelo governo de Jair Messias Bolsonaro e seguidores e encerra uma oportuna e inédita trilogia de análise e conversão acerca de temas correntes que, mesmo sem o auxílio do tempo, soam extremamente pertinentes.