Rafael Gomes e Vinicius Calderoni | Foto: Divulgação
Rafael Gomes e Vinicius Calderoni | Foto: Divulgação

A dupla de profissionais é, inegavelmente, a que teve mais repercussão artística nesta década. Embora tenham trabalhado realmente juntos apenas em 2016, com a encenação de Os Arqueólogos, o diretor Rafael Gomes e o dramaturgo Vinicius Calderoni construíram trajetórias de sucessos seguidos, com unanimidade de crítica e teatros cheios.

Gomes, que debutou como diretor na encenação de Música para Cortar os Pulsos (2010) enfileirou alguns trabalhos de expressão, como O Convidado Surpresa (2014) e Gotas d’Água sobre Pedras Escaldantes (2014), mas foi notado mesmo em 2015, quando encenou Um Bonde Chamado Desejo, clássico de Tennessee Williams, que foi verdadeiro sucesso de público e crítica, e deu a Maria Luísa Mendonça seu primeiro Prêmio Shell.

O diretor também abocanhou seu primeiro Shell com a encenação que tinha no elenco nomes como Eduardo Moscovis e Virginia Buckowski, entre outros. O sucesso do “Bonde” rendeu a Gomes um convite feito diretamente por Laila Garin que, prestes a viver Joana no clássico de Chico Buarque de Hollanda e Paulo Pontes, Gota D’Água, convocou o diretor para dirigi-la ao lado de Alejandro Claveaux naquela que passou a ser a versão “A Seco” da clássica obra produzida originalmente para Bibi Ferreira.

A Gota d’Água [A Seco] foi a consagração de Gomes que, apesar dos convites, ainda se mantém fiel a sua própria estética e necessidade artística (que o fez abandonar a direção do musical sobre Elza Soares para dirigir seu segundo longa Música para Cortar os Pulsos, baseado em sua peça homônima de estreia).

Quem assumiu a direção do musical sobre a cantora do milênio foi Duda Maia, mas a dramaturgia ficou a cargo do parceiro, Vinicius Calderoni, com quem Gomes mantém a companhia Empório de Teatro Sortido. 

Calderoni, que em 2016 já havia levado um Prêmio Shell pela peça Arrã, caiu nas graças do público com Os Arqueólogos, espetáculo que lhe rendeu uma nova indicação ao Shell e o convite para escrever O Musical Elza, no qual virou pelo avesso e contou de forma pouco ortodoxa a vida e a obra de Elza Soares, angariando Prêmios como Reverência e Bibi Ferreira, voltados ao teatro musical.

Além dos espetáculos Chorume e Não Nem Nada, Calderoni também é autor do musical inédito O Vazio da Palavra Tudo, e de Sísifo, peça escrita com Gregório Duvivier que rendeu à dupla uma indicação ao prêmio APCA de Melhor Dramaturgia.