Comemorado de forma singela anualmente, o Dia Mundial do Teatro ganha contornos diferentes neste ano de 2020. Com o mundo travando uma batalha acirrada pela sobrevivência contra o vírus respiratório COVID-19 (Coronavírus) e com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que a população permaneça em quarentena preventiva para evitar a disseminação do vírus, é interessante notar o papel da classe artística nesta nova realidade.

Junto aos profissionais de saúde, os profissionais que desempenham seus papéis frente a cultura das artes foram imediatamente os primeiros a não apenas aderir aos pedidos da OMS, mas também a incentivar de maneira veemente que toda a população que tivesse a possibilidade, que aderisse ao isolamento social.

Por meio de mensagem nas redes sociais, cantores, atores e atrizes, dramaturgos e outros profissionais das artes iniciam campanha que desaguou em um projeto coletivo e não formulado previamente de shows  apresentações online. Desde que se decretou a quarentena preventiva, artistas como Marcelo Várzea, Ivam Cabral, Davi Novaes e Lara Córdulla fizeram apresentações de seus solos de forma gratuita e online para seguidores de suas redes sociais.

Do outro lado, artistas como Gustavo Pinheiro, Rafael Gomes, Nicole Cordery, Bruno Perillo e Renata Ricci, os grupos Os Ciclomáticos e Vagalum Tum Tum e a Produtora Z disponibilizaram antigos espetáculos online para entreter o público para além das plataformas de streaming como Netflix e Amazon.

O dramaturgo e ator Vitor Rocha estreou um talk-show online, enquanto o iluminador César Pivetti passou a receber amigos do ramo da luz para discutir arte, técnicas e a trajetória de cada um, também online.

Na seara musical, nomes como Adriana Calcanhotto, Joyce Moreno, Zélia Duncan, Paulinho Moska, Zé Renato, Francis Hime, entre outros, têm realizado shows online com duração de 30 minutos a uma hora. Ou nomes como Rita Lee e Kiara Sasso que têm se disponibilizado a leituras, canas e bate-papos online com o público. Tudo a custo zero.

Levando em conta que a classe artística, durante a campanha eleitoral, passou a ser diretamente atacada pelo então candidato e atual presidente da República Jair Messias Bolsonaro (sem partido) como sendo parte de uma parcela da população que não trabalha e, nas palavras do (baixo) imaginário comum “mama nas tetas do governo”, é interessante notar que, durante uma crise social e de saúde, é justamente a classe mais atacada que se levanta e, sem receber um tostão, disponibiliza seu trabalho para fazer exatamente o que sempre fez: entreter o público.

O impacto econômico na cultura das artes será igualmente forte, uma vez que teatros e casas de shows precisaram ser fechados para evitar aglomerações,e produções precisaram interromper suas temporadas – a maioria sem patrocínio – para respeitar os pedidos da OMS. E ainda assim, há que se admitir, é a classe que mais tem se empenhado pela campanha de manter o público seguro em casa.

Mesmo atacada e baqueada pelo impacto econômico, no Dia Mundial do Teatro, é preciso expandir o leque e saudar não apenas os profissionais das artes cênicas, mas todos da cultura das artes que, como pede seu ofício, tem se esforçado para, uma vez mais, fazer um monte de gente feliz.