Homens no Divã | Foto: Divulgação
Homens no Divã | Foto: Divulgação

Pouco mais de um mês após a polêmica live realizada pela dupla de cantores sertanejos Jorge e Mateus, na qual os artistas driblaram as regras de isolamento social com aglomeração de público e profissionais (garçons e pessoas da limpeza) pagos por patrocinador, outros casos de maus exemplos começam a surgir, inclusive na classe teatral.

Realizada no último sábado, a live do Teatro D. comandada por Darson Ribeiro, com as participações de Guilherme Chelucci e  Olivetti Herrera, foi um destes casos. Realizando um bate-papo sobre o espetáculo Homens no Divã, baseado em Desesperados, de Miriam Palma, sob a direção do próprio Ribeiro.

No bate-papo, o trio de atores escolheu não utilizar as máscaras que vem sendo incansavelmente divulgadas como meio de contenção ao novo COVID-19 (Coronavírus) para aqueles que não podem ficar em isolamento. 

O ato de abrir o teatro – localizado dentro do supermercado Extra Itaim Bibi – também já ressoa temerário frente ao momento em que teatros e espaços culturais vem se mantendo fechados em respeito às determinações da Organização Mundial da Saúde.

Disponível no perfil oficial do Teatro, o vídeo da segunda parte da live na qual o grupo de atores realiza uma das cenas do espetáculo, com direito a desenho de luz sugere a presença de outras pessoas além do trio no espaço que, mesmo tomando os cuidados devidos (espera-se) soa estranhamente desnecessário e mesmo imprudente num momento em que mesmo conversas mais ambiciosas – como as realizadas pelo produtor Eduardo Barata em nome da Associação de Produtores do Rio de Janeiro (APTR) – tem sido realizadas remotamente.

Embora boa, a ideia de dissecar os processo de um espetáculo pode ser realizada de forma remota, a exemplo o ótimo bate-papo encabeçado por Mel Lisboa e Márcio Macena para expor o processo de criação do musical Rita Lee Mora ao Lado, divisor de carreiras na carreira da atriz que, depois, afinou os laços com a rainha do rock, participando, também remotamente, de live comemorativa dos 40 anos de lançamento do álbum Rita Lee, ponto de maturação da parceria da cantora com o músico Roberto de Carvalho.

É, portanto, um mau exemplo o encontro de atores durante um momento em que o discurso para que não se “fure” a quarentena de prevenção ao coronavírus ganha força, principalmente em São Paulo, onde o contágio é o maior e mais letal, e o número de isolamentos cai vertiginosamente. Não é esse o papel da arte.