Dá para ter esperança em 2022?

Produtora e colunista do Observatório do Teatro prevê as esperanças para o novo ano no setor cultural

Publicado em 13/01/2022 08:30
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Para além das costumeiras superstições brasileiras, o início de um ano também é o início de um novo ciclo, surgem então as famosas promessas, reavaliações, listas de desejos e buscas por novas oportunidades. Para 2022 este sentimento, pode-se chamar assim, ganha uma certa potência, não é para menos, estamos tentando nos reerguer da COVID19, meteoro sem fim que nos abala desde março de 2020, e lutando contra as previsões de que ele talvez nem tenha se mostrado por inteiro.

Nesse balaio de incertezas, esperança e um pouco de alienação, uma coisa é fato: 2022 é ano de eleições presidenciais. Na teoria isso deveria significar um momento de reavaliação sobre um plano de governo atual em comparação com outros propostos, para definir uma mudança de rumos ou seguir em frente. Em alguma realidade utópica, com certeza, mas no Brasil pode-se prever (parafraseando o melhor do dialeto LGBTQI+) um ano de “confusão e baixaria”.

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O Brasil está tão polarizado que nas redes sociais foi possível sentir o cheiro de confusão até em foto de peru de natal, as famosas “#”, traduziam ironias ou reafirmavam posicionamentos, vide as selfies em cachoeiras “#vivaosus”.

Devagarinho, os brasileiros estão colocando seus armamentos, quase que sorrateiros, se aproximando do campo de batalha, para que em 16 de agosto comecem os jogos.  Mas antes que esse momento de fato chegue e enquanto estivermos vivendo ainda essa “guerra fria moderna” preciso te lembrar da realidade. Estamos em 2022, Bolsonaro ainda é o presidente e montou uma equipe que faz oposição ferrenha a qualquer tipo de incentivo ou fomento a cultura. Devemos ser o único lugar no mundo onde existe uma equipe na pasta da cultura cujo único objetivo é devasta-la.

O Secretário, iletrado e despreparada, dá entrevistas a apoiadores reproduzindo falas sem sentido ou reproduzindo dados de forma completamente errada, talvez esse senhor cause a classe artística mais vergonha do que raiva. Seu último argumento de reprodução foi de que a Lei Rouanet (único mecanismo do qual esse governo sabe que existe) alimentava a máfia dos sindicatos de artistas. Essa afirmação não tem sequer sentido para compor uma falácia, á apenas mais uma “vai que cola”. Acontece que no meio de devaneios e frases soltas existe muito dinheiro indo para lugares tão pouco democráticos quanto lógicos, como por exemplo 25% de propostas contempladas serem ligadas ao Ministério da Defesa, isso para não falar dos grupos evangélicos beneficiados e da paralisação dos demais projetos.

Se por um lado o cenário é desesperador e frustrante, por outro, mais do que nunca foi preciso estar atendo. Em 24 de novembro o Senado aprovou a Lei Paulo Gustavo, que garante ao setor em caráter emergencial o repasse dos valores parados no Fundo Nacional de Cultura. O projeto segue para aval da câmara dos deputados e significa mais do que a sobrevivência de artistas e atividades, mas uma luz de democracia dentro desse túnel de negacionismo.

Esse repasse aos estados e municípios significa também a independência dos governos locais em relação a esse assunto tão pulsante Brasil a fora.

2022 contará com eleições de governadores, deverá enfrentar ainda muitas barreiras providenciadas por esse vírus traiçoeiro e para tudo isso vai ser necessário muito combate, pode até ser que as sete ondas tenham algum efeito, mas acredito que mais do que elas ou os memes e “#” pressionar deputado dê mais resultado. Se o Brasil é o país da fé, como dizem, está mais do que na hora de termos fé no nosso poder de mudança, não dá para passar mais um ano torcendo para que ele acabe logo, é preciso fazer algo para impedir que esse o fundo – nacional – da cultura se torna de uma vez por todas o fundo do poço.

Especialista em Acessibilidade Cultural, Bruna Burkert é atriz, dramaturga e produtora.
Ativista Cultural, amante do teatro de rua e da cultura periférica e inclusiva.
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