Sunset Boulevard - Foto: Divulgação
Sunset Boulevard - Foto: Divulgação

O mercado do teatro e, principalmente, do teatro musical, é repleto de contratempos que, por vezes, atrasam ou inviabilizam projetos já anunciados ou em vias de entrar em produção.

Às vezes, uma produção esbarra no patrocínio, outra nos direitos autorais, ou ainda numa cisão entre produtores ou componentes considerados indispensáveis para o elenco. Listamos abaixo 10 espetáculos que chegaram a ser anunciados, mas que não foram montados por problemas vários. Confira:

1- A Cor Púrpura

A Cor Púrpura | Foto: Divulgacao
A Cor Púrpura

Em julho de 2011 a coluna do jornalista Flávio Ricco no UOL trouxe a informação de que a atriz Camila Pitanga havia sido convidada para estrelar a primeira montagem brasileira de A Cor Púrpura, musical baseado na obra homônima de Alice Walker adaptada para os cinemas em 1986 por Steven Spielberg. O projeto estava sob a produção da Produto Final Produções Artísticas, que conseguiu aprovação para captar, via Lei de Incentivo à Cultura, R$ 6.469.900,00 (seis milhões 469 mil e 900 reais). Com elenco formado ainda por Vanessa Jackson e Milton Gonçalves, a produção conseguiu captar apenas R$ 760.000,00 (setecentos e sessenta mil reais) e acabou arquivando o projeto, que chegou efetivamente ao Brasil apenas em 2019, rendendo uma indicação ao Prêmio Shell a protagonista Letícia Soares (foto) e dirigido por Tadeu Aguiar.

2- Os Últimos Cinco Anos

Os Últimos Cinco Anos - Foto: Gustavo Arrais
Os Últimos Cinco Anos

Em 2010, a mesma Produto Final Produções Artísticas comprou os direitos e iniciou a captação de Os Últimos Cinco Anos, musical de Jason Robert Brown sobre as agruras da construção e da falência de um relacionamento. O espetáculo estreou em 2001 na cidade de Chicago e, no ano seguinte, se tornou um dos maiores sucessos do circuito Off-Broadway na temporada. A primeira versão brasileira estrearia em 2011 e, embora não tenha sido amplamente divulgada, uma nota na Revista IstoÉ em novembro de 2010 revelava que o espetáculo seria protagonizado por Vanessa Gerbelli e Jarbas Homem de Mello. O projeto tentou captar, via Lei de Incentivo à Cultura, o montante de R$ 2.161.750,00 (dois milhões cento e sessenta e um mil e 750 reais), mas não conseguiu levantar o dinheiro. O musical foi montado no Brasil apenas em 2018 em encenação dirigida por João Fonseca e protagonizada por Beto Sargentelli e Eline Porto (foto).

3- Legalmente Loira – O Musical

Musical Legalmente oira - Foto: Divulgação
Legalmente Loira

O projeto de montar o espetáculo – indicado a sete prêmios Tony – no Brasil surgiu em 2008, quando a atriz Luciana Vendramini declarou em uma série de entrevistas ter comprado os direitos de montagem. A ideia da atriz era levantar a produção entre os anos de 2008 e 2009. Problemas nas negociações, contudo, fizeram a atriz desistir de montar e estrelar o musical originado do famoso filme homônimo de 2001. Em 2017, a produtora paulistana 4Act adquiriu os direitos e, desde então, segue tentando a captação via Lei de Incentivo à Cultura. No total, a produtora pede R$ 7.735.680,48 (sete milhões setecentos e trinta e cinco mil e 680 reais e quarenta e oito centavos). O tempo para a captação e realização do projeto, a princípio, expira em dezembro deste ano de 2020.

4- Aquela Canção do Roberto

Roberto Carlos

Em 2009, ao comemorar 50 anos de carreira, Roberto Carlos saiu em turnê pelo Brasil e pelo exterior e encabeçou uma série de projetos retrospectivos e em homenagem a seu reinado dentro da música popular brasileira. Um dos projetos, o musical Aquela Canção do Roberto, contudo, nunca saiu do papel. Idealizado pela dupla de diretores Charles Moeller e Cláudio Botelho para celebrar, também, os 70 anos do cantor, o espetáculo prestaria tributo ao repertório de Roberto Carlos. O anúncio se deu primeiramente em matéria do jornal O Globo de 2009. Depois, no mesmo jornal, em 2010, a dupla anunciou o título da obra e a data da estreia: março de 2011. Sem nunca ter visto a luz do refletor, Aquela Canção do Roberto saiu de cena por motivos desconhecidos, embora especule-se que o autor, arredio a revistas de suas músicas, tenha barrado a produção.

5- Applause

Lauren Bacall em Applause

Em 2010, a atriz Betty Faria comprou os direitos de Applause, musical de Charles Strouse (música), Lee Adams (letras), Betty Comden e Adolph Green (dramaturgia) baseado no filme A Malvada (1950), um dos títulos clássicos da filmografia de Bette Davis. No mesmo ano a atriz declarou em entrevista ao Blog Prefiro Melão, de Vitor de Oliveira, ter comprado os direitos, mas ainda não saber quem seriam os responsáveis pela produção. Em entrevista o Programa do Jô no ano seguinte, a atriz indicou o nome da dupla Charles Moeller e Cláudio Botelho para assinar tanto as versões quanto a direção. O projeto, contudo, não foi concretizado porque a atriz não conseguiu levantar o valor da produção. 

6- Mary Poppins

Mary Poppins

O clássico da Disney chegou aos palcos em formato de musical em 2004, no West End, em Londres, dois anos antes de estrear na Broadway e levar sete indicações ao Prêmio Tony, entre eles o de Melhor Musical. No Brasil, o espetáculo nunca foi oficialmente anunciado, mas em 2015 a produtora Time 4 Fun iniciou um processo de audições para escolher os protagonistas da clássica história da babá que transforma a vida de uma família. Contudo, a produção foi cancelada e, especula-se, já com parte do elenco fechado. Os motivos nunca foram esclarecidos de fato, mas, no lugar do clássico da Disney, a produtora escolheu montar Wicked, blockbuster juvenil que se comprovou um passo acertado com uma das maiores arrecadações da temporada. Após o filme O Retorno de Mary Poppins (2018), o musical chegou a ser anunciado dentro da nova parceria entre a produtora Time 4 Fun e os diretores Moeller e Botelho, mas ainda não há previsão de montagem.

7- Sunset Boulevard

Marisa Orth em Sunset Boulevard

Em entrevista à Revista Veja em 2001, o diretor e dramaturgo Naum Alves de Souza confessou ter se impressionado com Company, musical de Stephen Sondheim montado originalmente no Brasil pela dupla de diretores Charles Moeller e Cláudio Botelho e se transformando em um marco do amadurecimento do teatro musical no Brasil, antes da explosão de blockbusters como Os Miseráveis, A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera. A boa impressão que o espetáculo causou rendeu a Naum o desejo de montar no país um de seus espetáculos favoritos, Sunset Boulevard, musical de Andrew Lloyd Webber baseado no filme homônimo de Billy Wilder. No ano seguinte, Naum chegou a declarar que faria uma montagem estrelada por Bibi Ferreira no papel da ex-diva do cinema mudo Norma Desmond, que no cinema fora vivida por Gloria Swanson e na Broadway por Glenn Close. Então com 80 anos de idade, Bibi teria aceitado o desafio de dar vida a ex-estrela, mas o musical nunca saiu do papel. O espetáculo chegou ao Brasil em 2019, estrelado por Marisa Orth (foto) sob a direção do norte americano Fred Hanson.

8- Marlene – Um Tributo a Dietrich

Marlene – A Tribute to Dietrich

Monólogo musical que se tornou verdadeiro hit cult na Londres de 1997, Marlene – Um Tributo a Dietrich, de Pam Gems, foi anunciado para uma montagem no Brasil em 2010, mas nunca viu a luz do refletor. Recém-saída da minissérie Cinquentinha (2009), de Aguinaldo Silva, Marília Gabriela declarou que pensava em fazer um musical e retomar a carreira sazonal de cantora. A jornalista multimídia então se reuniu a Produto Final Produções e compraram os direitos do solo em tributo a Marlene Dietrich. A ideia era de que o projeto contasse com a direção de Marília Pêra, com quem Gabrela havia trabalhado nos primeiros capítulos a minissérie Cinquentinha, antes de Pêra abandonar o projeto. A produção tentou arrecadar R$ 2.767.130,00 (dois milhões setecentos e sessenta e sete mil e 130 reais), mas, por desistência da equipe criativa, o espetáculo acabou não acontecendo, e Gabriela arquivou o desejo de fazê-lo. Dietrich ganhou uma homenagem para chamar de sua em 2012, quando Sylvia Bandeira estrelou Marlene Dietrich – As Pernas do Século, de Aimar Labaki. O espetáculo segue em temporadas esporádicas entre São Paulo e Rio de Janeir.

9- Verônica ou 13

A dupla Claudio Botelho e Charles Moeller

Em 2007, a dupla de diretores Charles Moeller e Claudio Botelho iniciou as comemorações de seus 10 anos de parceria artística com 7 – O Musical, espetáculo autoral no qual a dupla se uniu a Ed Motta para adaptar os contos dos Irmãos Grimm. Arrecadando prêmios, o espetáculo inspirou a dupla a construir uma continuação dos acontecimentos da obra intitulada Verônica ou 13. A obra foi anunciada primeiramente em 2013 e entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, quando os diretores também anunciaram uma série derivada da obra para o canal a cabo HBO. A série nunca aconteceu, mas o musial permaneceu nos planos de Moeller e Botelho, que voltaram ao assunto em 2016, quando venceram o prêmio Faz a Diferença, do Jornal O Globo, e em 2017, quando estrearam o espetáculo Versão Brasileira. Outros espetáculos se seguiram desde o anúncio e, pelo menos até o momento, Verônica ou 13 permanece escondido nos arquivos da dupla.

10- A Little Night Music

Catherine Zeta-Jones em A Little Night Music

Um dos clássicos da obra do compositor norte americano stephen Sondheim, A Little Night Music nunca foi um título popular no Brasil, mesmo com o filme estrelado por Elizabeth Taylor em 1978, a obra só ganhou alguma atenção graças ao hit Send in the Clowns, que ganhou a voz de Renato Russo em disco The Stonewall Celebration Concert, de 1994. Contudo, o diretor Tadeu Aguiar segue com o desejo de encenar a história no Brasil. Em 2018, em entrevista ao Glamurama, o ator Mouhamed Harfouch anunciou que protagonizaria o espetáculo ainda em 2019. A produção, contudo, não se concretizou, e segue em busca de captação de patrocínio. Via Lei de Incentivo à Cultura, o projeto está autorizado a captar o total de R$ 4.982.425,50 (quatro milhões novecentos e oitenta e dois mil e quatrocentos e vinte e cinco reais e 50 centavos) até o final deste ano, a princípio.