Fefa Moreira anuncia 4ª edição de Feira de Empreendedorismo Artístico para pensar cenário cultural

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Quando, em 2016, a cantora, atriz e empresária Fefa Moreira arregaçou as mangas para dar início à primeira edição de sua Feira de Empreendedorismo Artístico (FEA), o tema ainda engatinhava no Brasil e era tratado com certo desprezo pela classe artística que não via no empreendedorismo e na gestão de suas carreiras temas que merecessem atenção especial.

Cinco anos após aquela (bem sucedida) primeira edição, o tema do empreendedorismo atingiu picos de discussão, com a criação de cursos, workshops e grande adesão da classe artística – em especial a teatral – muito afetada pela pandemia do Coronavírus, que congelou o mercado cultural e o mantém sem movimento desde 2020.

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Mesmo a FEA sofreu o abalo da crise sanitária, que fez com que o evento não acontecesse em 2020 por falta de possibilidade financeira. “Alinhamos todo um projeto em março para que no final do ano as pessoas pudessem planejar seu próximo ano, e de repente tivemos que paralisar tudo, não aconteceu nada, foi um desespero”, Moreira, que além de idealizadora também assina a direção artística da Feira.

“Esse ano conseguimos o edital da [Lei] Aldir Blanc e vamos realizar mais cedo, o que é ótimo, porque economicamente falando estamos olhando para julho de 2022. Estamos pensando a economia criativa”.

Realizada em formato 100% online – as edições anteriores já contavam com transmissão nas redes da Feira -, a FEA visa preparar a classe artística para o que Moreira acredita ser uma retomada gradual e lenta de um mercado que só vai aquecer após a vacinação em massa e após um trabalho de conscientização da segurança de se frequentar espaços culturais.

“Para a classe cultural não serão apenas dois anos de pandemia, mas quatro. Vamos voltar às atividades e não tão cedo as pessoas vão deixar de ter medo de voltar a frequentar os espaços onde gira o mercado da cultura. É como pegar um empréstimo num banco. Por um tempo vamos ficar no vermelho até conseguir pagar e depois voltar ao azul”, conceitua.

Para a empresária, contudo, o grande desfalque está no poder público, que não só não orienta como não acolhe os trabalhadores da cultura. Por isso, acredita, a Feira seja a entidade de orientação que procura sanar a falha pública. “Não temos esse trabalho do poder público, então eu quero trazer essa orientação das gerências de mercado, das pessoas que pensam o mercado e para que os artistas tenham acesso ao que pensa o empresariado. Essas pessoas são os cabos de arrimo”.

Contando com nomes como Miguel Falabella, Zezé Motta, Otaviano Costa, Marco Luque e Marcelo Serrado, entre outros, a FEA 2021 será dividida em três dias, entre 10 e 12 de abril, com transmissão gratuita. A nova modalidade exclusivamente online, contudo, não preocupa Moreira, que enxerga uma pluralidade de plataformas também no público acostumado a comparecer ao evento.

“Nosso público já era adaptável. Temos pessoas que assistem do Chile, da Argentina, em vários lugares da Europa, nos Estados Unidos, então isso me deixa tranquila. Com relação às palestras, o fato de ser remoto facilitou o acesso. Estamos com pessoas nos Estados Unidos, na Europa, no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Mesmo no quesito social isso foi um ganho, porque era muito custoso para as ONGs pensarem na logística com transporte e lanches, então foi um facilitador. A maior perda é que não temos mais a experiências dos stands, o networking. A tendência é que nossa feira seja híbrida, mas nada substitui o corpo a corpo”.

Entre os temas que Moreira pretende que a Feira retrate está o que ela chama de “democratização de acesso” ao mercado cultural graças a pandemia. Para a gestora da FEA, a crise sanitária trouxe uma nova visão para os artistas de suas carreiras.

“As pessoas saíram do lugar passivo de suas carreiras para o lugar ativo. Foram obrigadas a entender o mínimo de produção, de leis, de edital, de gestão de carreiras. Porque não é só a carreira, é sobre seus projetos também, sobre o planejamento, sobre se descobrir dentro do mercado. No pause, paramos todos no mesmo lugar”.

“É uma reinvenção para quando pensarmos gestão cultural, pensarmos nossas carreiras e não somente os projetos. Precisamos pensar em empreendedorismo fora de leis de incentivo e editais, pensar o individual, pensar o CNPJ que consta naquele CPF. Mesmo gestão financeira. Agora precisamos pensar também em investimentos, poupanças e gestão individual para não pensarmos apenas no pão que comemos a noite”, diz.

“A história do mundo desde que ele existe foi contada por artistas, então olha a responsabilidade que temos para em 2179 as pessoas entenderem o que foi hoje, o que está acontecendo agora. É o que a gente produz de arte que vai contar o que aconteceu nesse momento, é através das nossas produções artísticas. O artista é responsável por repensar a sociedade”. 

“Fazer uma FEA é um ato de resistência. Muitos artistas estão deixando de ser artistas por medo, por falta de perspectiva, olham para a mesa que não está do jeito que estava, então é um ato de resistência continuar a arte. E eu enxergo esses palestrantes como cabos de arrimo que vão através das suas falas encorajarem as pessoas a pensar de forma criativa a não parar”, finaliza.

A 4ª edição da FEA – Feira de Empreendedorismo Artístico pode ser acessada gratuitamente no canal oficial do evento no YouTube. Os workshops e cursos acontecerão também através de salas na plataforma Zoom.

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