Teatro em Movimento - Foto: Divulgação
Teatro em Movimento - Foto: Divulgação

Festival que se tornou referência na política de democratização de acesso, descentralização da cultura e do mecenato teatral e, principalmente, a formação de plateia ao redor do Brasil, o mineiro Teatro em Movimento foi surpreendido pela pandemia do novo Coronavírus quando se preparava para celebrar 19 anos de história.

Com a impossibilidade de dar continuidade ao projeto de levar espetáculos para Belo Horizonte e outras 15 cidades, a produtora e idealizadora do festival Tatyana Rubim decidiu reformular a ideia original e se adaptar ao movimento do Teatro Digital que, desde meados de março vinha dando sobrevida artística e, em alguns casos, financeira, ao teatro tupiniquim (principalmente o centrado no eixo Rio-São Paulo).

“O tempo é outro, a fórmula é outra!. E, para tanto, é preciso entender este novo ambiente, trazer as pessoas certas e especialistas, a fim de produzir algo novo, com repertórios para serem apresentados ao público, que também deve ser considerado como um ‘novo espectador’, por se comportar de modo diferente do presencial. É o desafio de construir o novo para o novo normal”, declarou a produtora em comunicado.

A ideia então não é apenas a de produzir obras online, mas também a de formar profissionais que estejam familiarizados com esta nova linguagem. a partir deste mês e agosto, o projeto Teatro EmMov abre inscrições para um curso inédito de formação em Teatro Digital. 

Serão 200 vagas regulares e 100 vagas para alunos ouvintes que não farão o curso todo, mas terão acesso a boa parte do material. a coordenação pedagógica é da professora doutora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Mariana Lima Muniz. O curso terá a carga de 180 horas entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021 com aulas regulares online.

A segunda das três vertentes do projeto é uma web série escrita pelo vencedor do Prêmio Shell Vinicius Calderoni com base nas canções do Clube da Esquina sob comando da atriz e diretora do Grupo Galão Inês Peixoto, o diretor Vinícius Souza, o cineasta Gilberto scarpa, o videomaker Éder Santos, o músico Tattá Spalla e o cenógrafo e figurinista Márcio Medina.

Por fim, o Teatro EmMov contará com uma série de experimentos digitais dirigidas por Bárbara Paz, Yara de Novaes e Cacá Caralho com base em uma experiência imersiva conduzida pelo ator argentino Matías Umpierrez, com célebre trabalho baseado na fricção entre vídeo, artes vivas e intervenções urbanas. Sob a coordenação de Mariana Lima Muniz e Tatyna Rubim, o resultado das experiências cênicas serão disponibilizados através da plataforma do Teatro EmMov.

“O teatro sobreviveu a muita coisa e agora vai se reinventar também. Após escutar alguns infectologistas, lamentavelmente percebemos que novas pandemias poderão surgir. O mundo sofrerá e precisamos estar preparados. O cenário digital vem para ficar e precisamos preservar a referência e a identidade do teatro brasileiro”, finaliza Rubim.