Ícone do samba da Bahia, Riachão sai de cena sem ver concretizado desejo de musical

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Em meados de 2012, numa de suas passagens pelo Rio de Janeiro, o compositor baiano Clementino Rodrigues, o Riachão, foi levado ao Teatro Ginástico para assistir a uma sessão de Gonzagão – A Lenda, musical dirigido por João Falcão sobre a vida e a obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989).

O musical, polo de surgimento do grupo A Barca dos Corações Partidos, teria tocado tão fundo no compositor que lhe acendeu o desejo de um musical que contasse não apenas a sua biografia, mas que também apresentasse ao público boa parte de sua obra ainda inédita ou de pouco alcance popular.

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Este é um dos mitos que rondam a figura de Riachão, compositor de clássicos como os sambas Cada Macaco no seu Galho e Vá Morar com o Diabo, que saiu de cena na madrugada desta segunda-feira (30) em Salvador, na Bahia, aos 98 anos em decorrência de causas naturais.

Nunca se soube se o desejo de Riachão era real, mas houve, em meados de 2013, o anúncio de um musical que tinha como principal mote descortinar a vasta obra deste compositor e cantor que teve apenas duas músicas alçadas ao reconhecimento popular graças às gravações de Caetano Veloso e Gilberto Gil (1972, Cada Macaco no seu Galho) e Cássia Eller (2001, Vá Morar com o Diabo).

A obra do compositor, de acordo com obituário publicado por Mauro Ferreira em sua coluna no portal G1, ultrapassa 500 títulos, muitos inéditos, e a maioria desconhecida do grande público que não teve acesso a obra monumental construída pelo compositor, que jamais extrapolou as fronteiras da Bahia.

Verdade ou não, o desejo de Riachão, de contar sua vida no teatro através de sua obra, já seria justo o bastante por ir de encontro a um dos pilares do fazer teatral, que é a construção e a manutenção de sua memória e daquela construída pela cultura das artes de seu país. 

Se agora, inspirado por sua saída de cena, um espetáculo se formatar, talvez chegue aos palcos a tempo de celebrar o centenário que o próprio compositor pretendia festejar com a edição de Se Deus Quiser, vou Chegar aos 100, titulo do álbum que pretendia gravar com uma seleção de canções inéditas, mas que permancerá inédito na espaçada discografia deste compositor que merece extrapolar as fronteiras de sua terra natal e chegar ao cancioneiro nacional.

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