Marília Mendonça construiu obra melodramática capaz de permear e influenciar futuras criações dramatúrgicas

Artista foi vítima de acidente de avião que calou a voz mais popular do Brasil contemporâneo

Publicado em 05/11/2021 19:54
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A precoce e (também por isso) trágica saída de cena da cantora e compositora goiana Marília Dias Mendonça (1995-2021) na tarde desta sexta-feira, 05, não só cala a principal voz do movimento sertanejo que, desde meados da década passada é comandado por artistas femininas, as famosas “patroas”, como também paralisa uma nação. A voz e a obra de Mendonça foram celebradas por artistas de diferentes gêneros ao longo de menos de uma década de carreira fonográfica.

Esse apelo popular se deu em suma pelo caráter melodramático de suas letras e de sua voz tamanha. Ainda que buscasse narrar a tomada de poder feminina em relacionamentos fracassados ou encontros frustrados, Mendonça cantava, a rigor, as dores de amores que não se concretizaram.

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É essa veia melodramática e juvenil que possibilita que a obra da artista enverede pelo universo teatral, com ênfase, claro, no teatro musical brasileiro, acostumado a fundir clássicos do repertório da música popular à dramaturgia em investidas, geralmente, de caráter meramente comercial.

Embora nada desse a entender que Mendonça poderia enveredar para a criação de obra especificamente voltada ao teatro, as canções que compôs e gravou desde antes do lançamento de seu primeiro álbum, em 2016, já dão conta de grandes histórias de amor capazes de movimentar plateias ao redor de um país acostumado e com forte preferência por narrativas folhetinescas.

Não à toa, a ideia de transformar a obra da artista em teatro musical já pairou na cabeça e nos comentários de uma série de produtores ao longo dos anos. Algumas de suas canções até chegaram a fazer parte de espetáculos que, embora não se dedicassem especificamente à ela, já testaram a força cênica das letras da artista.

Ninguém deveria se assustar se o repertório de Marília, que já caíra nas graças de nomes como Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso, passasse a constar no primeiro time das canções da clássica música popular do Brasil, e, ao ser levada para o teatro, também conste na clássica construção dramatúrgica de um teatro que pode, sim, se alicerçar nas letras da artista para fazer a manutenção do diálogo com o grande público.

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