Bibi Ferreira - Foto: Divulgação
Bibi Ferreira - Foto: Divulgação

Foi sintomático que apenas cinco meses após anunciar sua aposentadoria dos palcos, em setembro de 2018, aos 96 anos de idade, a multiartista Abigail Izquierdo Ferreira (1922-2019), a Bibi Ferreira, tenha saído definitivamente de cena, em fevereiro do ano seguinte.

Inspirada por uma série de internações graças a problemas no coração, a decisão de deixar os palcos foi tomada pela artista ainda em maio de 2018, há um mês de celebrar 96 anos de vida e já somando 77 de trajetória ininterrupta sob os holofotes seria divulgado dali há quatro meses. O tempo entre a decisão e o ato de torná-lo público mostrou a dificuldade que a artista teve em aceitar a necessidade de sair dos palcos.

Em turnê com o espetáculo revisionista Por Toda a Minha Vida – La Dernière Tournée, Ferreira ainda tinha, a despeito do subtítulo do espetáculo, o desejo subir ao palco uma última vez para celebrar a obra de Dorival Caymmi (1914-2008) com o show Viva Caymmi, que tinha estreia agendada para 16 de agosto daquele ano de 2018.

“Ela sabia que não iria estrear, mas mesmo assim seguia ensaiando. No hospital, mas ensaiando, decorando canções, aquilo a deixava viva”, lembra o empresário Nilson Raman, que acompanhou a artista nos seus últimos 30 anos de trajetória artística.

Sob a coordenação de Raman chega ao mercado Bibi Ferreira – Uma Vida no Palco, segunda edição da fotobiografia lançada originalmente em 2003 e que ganhou versão revista e ampliada como uma das ações que visa celebrar o centenário da artista, a ser comemorado em 2022.

Com edição limitada a 800 exemplares (dos quais 600 serão disponibilizados gratuitamente a bibliotecas ao redor do país), Bibi Ferreira – Uma Vida no Palco compreende todos os 77 anos de história artística da atriz, cantora e apresentadora carioca, filha de Procópio Ferreira (1898-1979), que foi radicada na Espanha e alfabetizada em inglês.

“Ela nunca foi a favor de que fizéssemos uma biografia, mas e animou muito quando, em 2001, propus a fotobiografia. Bibi sempre dizia que não era possível falar do teatro de amanhã sem conhecer bem o teatro de ontem”, conta o empresário que, após a morte da artista, passou a empresariar nomes como a cantora Gal Costa, o cantor e compositor Paulinho da Viola, a bailarina Ana Botafogo e o também cantor e compositor Danilo Caymmi, que, por indicação da própria Bibi, assumiu a turnê Viva Caymmi.

O lançamento da nova fotobiografia será seguido da edição de um livro inédito escrito por Raman narrando os bastidores dos últimos 30 anos da trajetória artística de Bibi. O empresário também pretende disponibilizar online gravações inéditas com o registro de apresentações da artista, desde shows como Bibi Vive Amália (2001) até o derradeiro Por Toda a Minha Vida (2017), passando ainda por títulos como De Pixinguinha a Noel Passando por Gardel (2010), Bibi Canta e Conta Piaf (2013) Bibi – Histórias e Canções (2014) e Bibi Canta Sinatra (2014).

“O acervo da Bibi pertence à família, e são muitos itens. Tem até a roupa que ela saiu da maternidade, mais de oito mil fotos, fitas cassete, muita coisa. Eu tenho os últimos cenários, figurinos, gravação de áudios, 90% por cento do que fizemos nesses 30 anos, eu tenho”, garante Raman que também pretende negociar com .uma TV portuguesa um antigo especial gravado pela artista com o repertório e as esquetes que deram origem ao LP Bibi Ferreira em Pessoa (1960), mas sem registro em vídeo no Brasil.

“A Bibi Fez muita coisa em Portugal. Eles têm um acervo muito grande de tudo o que ela fazia nos palcos aqui e não foi registrado, ou foi e os registros se perderam. Eu quero poder disponibilizar isso”, garante.

Com apenas dois DVD’s lançados no mercado (Bibi Ferreira Canta Piaf Ao Vivo, de 2004, e Histórias e Canções, lançado em 2017), Bibi tem ainda uma série e registros online que podem vir à luz do dia nos próximos anos. Um deles é um especial registrado pela paulistana Rede TV, mas nunca exibido.

Gravado em 2014 no Theatro Municipal de São Paulo, durante a terceira edição do Prêmio Bibi Ferreira, o especial nunca foi ao ar, mas está entre os registros que Ramn pretende negociar para disponibilizar online.

Bibi Ferreira e Nilson Raman - Foto: Divulgação
Bibi Ferreira e Nilson Raman – Foto: Divulgação

Entre outros projetos, ainda em estudo, o empresário tem como principal desejo realizar um espetáculo no qual contará em cena as histórias que viveu com Bibi e interpretará canções e textos que ela gostava de ouvir.

Com as produções paralisadas graças a pandemia do novo Coronavírus, Raman se dedica a escrever o livro que narra os bastidores das últimas três décadas da carreira da artista e pretende também revisar e atualizar a edição em inglês da fotobiografia da artista, inédita no mercado norte americano, mas disponibilizado para críticos e formadores de opinião após a primeira passagem da artista por Nova York em consagradora apresentação que contou na plateia com nomes como a estrela Liza Minnelli.

O contato com Minnelli, inclusive, acendeu em Bibi a vontade de realizar um desejo antigo de seu amigo Jô Soares, de gravar um disco com o repertório da cantora americana Judy Garland – mãe de Minelli.

Não houve tempo hábil para a artista celebrar Garland e Caymmi (como celebrou Sinatra em disco lançado postumamente em 2019) mas seus mai de 77 anos, dão o tom da vida estelar levada por Bibi e seguem muito bem documentados em Bibi – Uma Vida no Palco, disponível online para download gratuito e através do site oficial da editora Giostri, para quem quiser adquirir uma das edições limitadas.