Obra de Nelson Rodrigues se mantém atemporal 40 anos após morte do dramaturgo

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Embora seja clichê, é difícil não se referir ao dramaturgo e jornalista pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) como alguém que saiu de cena para entrar para a História do Brasil. Rodrigues é conhecido hoje como um grande escritor, autor de algumas das frases mais icônicas da cultura popular brasileira, usadas para ajudar corrente da filosofia, da antropologia e da sociologia a compreender melhor a formação cultural do Brasil em meados do século XX.

Somente por isso já valeria um lugar no quadro de personalidades históricas brasileiras,mas Rodrigues foi também autor de peças de teatro que não apenas ajudaram a fomentar o teatro moderno brasileiro, mas o pautou ao longo de mais de 40 anos, e ainda hoje continua pautando.

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Embora tenha saído de cena há quarenta anos, Nelson Rodrigues ainda é o principal alicerce da dramaturgia nacional. É o único autor a ter sua montada com frequência em algum lugar do Brasil, como já pontuou Fernanda Montenegro diversas vezes. E isso se dá porque, embora use do bairrismo de um Rio de Janeiro de início do século para emoldurar suas histórias, o autor faz análise nua, crua e ainda hoje atemporal do brasileiro enquanto ser social.

Seja abraçando a fantasia de Vestido de Noiva, sua obra mais popular, até a crueldade sardônica e sórdida de obras como O Beijo no Asfalto e Boca de Ouro, ou a despedida doída de Valsa nº 6, a obra de Nelson segue tocando fundo e pautando a formação cultural do Brasil, país que, em meados dos anos 2000, voltou a ser interesse internacional pelas políticas externa, econômica e cultural do governo Luís Inácio Lula da Silva (PT) e reacendeu o interesse cultural.

Anos mais tarde, já na década seguinte, um dos títulos do autor ameaça atravessar o oceano e – finalmente – ganhar os palcos norte americanos. A atriz Viola Davis adquiriu os direitos de O Beijo no Asfalto e pretende orquestrar uma montagem teatral na Broadway nos próximos anos.

Uma montagem internacional de uma obra do autor pernambucano não seria, como muitos insistem, uma dificuldade para a compreensão de qualquer povo de fora do Brasil, uma vez que as estruturas do texto de Nelson foram criadas com inspiração nas estruturas do norte americano Eugene O’Neill, um dos pais da dramaturgia moderna americana.

O fato é que mesmo tendo saído de cena há 40 anos, a obra de Nelson Rodrigues segue incansavelmente popular e contemporânea, tendo já atingido status de atemporalidade comparada apenas a obra criada pelo carioca Machado de Assis (1839-1908).

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