Prestes a completar 80 anos, Roberto Carlos é personagem tão cobiçada quanto impossível no teatro nacional

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Cantor e compositor que, há 55 anos, emergiu como líder do primeiro movimento mercadológico da música popular no Brasil, a Jovem Guarda, Roberto Carlos construiu verdadeiro reinado frente ao público jovem que paralisava em frente à TV para acompanhar as jovens tardes de domingo comandadas pelo artista ao lado dos amigos de fé Erasmo Carlos e Wanderléa.

Prestes a completar 80 anos de idade em abril deste 2021, Roberto Carlos se reinventou frente ao desgaste da fórmula do rock juvenil que marcou a década de 1960, e construiu reinado inabalável como o principal cantor romântico do país ao longo das décadas de 1970 e 1980, sem jamais ter o trono ameaçado.

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Com passagens biográficas que ajudaram a nortear os rumos de sua carreira – o acidente na infância, que o obrigou a amputar parte da perna direita, a deficiência visual do filho, Duda Braga, a morte de sua então esposa, Maria Rita, entre outras -, seria surpreendente atestar que a vida do cantor ainda não foi mote de inspiração para a produção de musical biográfico como os colegas que, desde meados dos anos 2000, tem dramaturgos e produtores debruçados sobre suas histórias, entre eles Elis Regina (1945-1982), Tim Maia (1942-1998), Rita Lee e até Ayrton Senna (1960-1994). Mas, ao se tratar se Roberto Carlos, surpresa nenhuma.

O rei se notabilizou ao longo das décadas como figura controladora, de total posse de sua obra e imagem sem jamais abrir mão deste poder.

O autor é um dos poucos artistas brasileiros a ter controle quase que total da obra que compôs e gravou ao longo de 60 anos de trajetória artística, além, claro, de todos os segredos que rondam sua vida particular e, em alguns casos, pública. Sem se expor em entrevistas, Roberto Carlos se tornou personalidade a ser desvendada por biógrafos que quisessem se aventurar em guerras legais com o compositor.

O caso mais icônico, do jornalista e biógrafo Paulo César de Araújo e seu livro Roberto Carlos em Detalhes (2006), talvez tenha servido como uma espécie de aviso para possíveis aventureiros que queiram desvendar a vida e a obra do rei, mesmo que em musicais superficiais focados mais no resultado fácil das bilheterias do que essencialmente nos mistérios que cercam a figura do artista.

A guerra que travou na segunda metade dos anos 2000 contra as biografias não autorizadas – levando a melhor contra o livro de Araújo, até hoje ítem de colecionador, proibido de ser comercializado no mercado literário – também serviu como exemplo da força do cantor no meio legal, ainda que, no fim das contas, tenha levado a pior, com a autorização da publicação de outras biografias não autorizadas, que não a escrita pelo jornalista baiano.

É, portanto, sintomático que Roberto Carlos chegue aos 80 anos de idade sem ter sua vida celebrada nos palcos dos grandes teatros do eixo Rio-São Paulo, mas é inexplicável que sua obra não tenha ainda adornado a história inédita de um musical no estilo jukebox. Sendo Roberto Carlos um dos compositores mais populares da música brasileira, é inegável que ter sua obra associada a um espetáculo é sedutor golpe de marketing teatral.

A dupla de diretores Charles Möeller e Claudio Botelho até acenou para a possibilidade em meados de 2009, quando Roberto celebrou 50 anos de trajetória artística. Intitulado Aquela Canção do Roberto, o espetáculo estrearia em 2011 como parte das comemorações dos 70 anos de idade do compositor, mas nunca saiu do papel por problemas com patrocinadores e com o próprio autor, arredio a projetos de revisões de sua obra.

Que pesem espetáculos que usavam de algumas canções específicas compostas pelo artista ao lado de Erasmo Carlos, ainda não houve no cenário teatral nacional um espetáculo que prestasse tributo ao repertório irretocável e – hoje, sabe-se – atemporal de Roberto Carlos.Portanto, aos 80 anos de idade, não se deve esperar que o autor ganhe grandes homenagens dentro do setor teatral, mesmo que existam projetos e desejos de ter em cena muito mais que a vida secreta de Roberto Carlos, mas sua obra monumental, sinônimo de blockbuster instantâneo nas plateias de todo o Brasil.

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