Retrato crítico do ego branco e ocidental, dramaturgia de Francisco Carlos é perfeita tradução do Brasil de dentro

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Tema geralmente tratado com superficialidade dentro da dramaturgia produzida nas grandes metrópoles, as figuras místicas, folclóricas e indígenas do Brasil de dentro ganharam bem vindo protagonismo no trabalho dramatúrgico desenvolvido por Francisco Carlos (1957-2020), dramaturgo e diretor amazonense que saiu de cena na manhã desta sexta-feira, 18, aos 63 anos vítima de um infarto fulminante.

O trabalho de Carlos embebia espaços urbanos de temáticas indígenas, retratando os embates culturais e funcionando como um registro crítico daquilo que chamava de “ego branco e ocidental” do homem branco médio das grandes metrópoles.

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Formado em filosofia pela Universidade do Amazonas, Carlos usou de sua formação primária para desenvolver obras como Banana Mecânica (2011), no qual estabelecia pontes com figuras clássicas das marchinhas do Carnaval carioca, como Chiquita Bacana, Pierrot apaixonado e Adão e Eva, com a dramaturgia de autores como William Shakespeare (1564-1616), Jean Genet (1910-1986) e Bertolt Brecht (1898-1956).

A obra encerrou trilogia iniciada com Namorados da Catedral Bêbada (2009), indicada ao Prêmio Shell de Melhor Texto, e Românticos da Idade Mídia (2010). Principal destaque da Fringe, na 20ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, Carlos também escreveu e dirigiu uma teatrologia canibal intitulada Jaguar Cibernético e foi autor do texto que retratou o mito de Electra dentro da trilogia Trágica 3, que rendeu um Prêmio Shell a Denise Del Vecchio.

Ao sair (prematuramente) de cena, Francisco Carlos deixa obra ainda por terminar. O artista pretendia desenvolver texto no qual retrataria um futuro distópico com o resultado das ações de Ricardo Salles a frente da pasta do Meio Ambiente no governo de Jair Messias Bolsonaro (Sem Partido).

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