Revolucionário do teatro experimental, Aderbal Freire-Filho chega aos 80 anos; Veja oito espetáculos essenciais do diretor

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Diretor cearense que construiu carreira brilhante no teatro carioca ao longo de quase 60 anos de trajetória artística, Aderbal freire-Filho chega aos 80 anos de idade como um dos principais diretores do teatro brasileiro, responsável pela encenação de clássicos da história cultural patropi, e pela instauração de uma linguagem que opta pela adoção do tempo contemporâneo e suas ramificações em suas obras.

Construindo encenações a partir da dramaturgia e de sua inserção na realidade vigente, Freire-Filho assinou algumas das obras mais icônicas do teatro brasileiro entre as décadas de 1970 e 2010. Para celebrar a trajetória do artista, o Observatório do Teatro selecionou oito títulos essenciais em sua carreira. Confira abaixo:

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1- Apareceu a Margarida (1973)

Primeiro sucesso comercial da carreira do diretor, a obra de Roberto Athayde e estrelada por Marília Pêra (1943-2015) foi um dos espetáculos mais contundentes contra o regime ditatorial do Brasil, e um dos principais da carreira da atriz, que seguiu fazendo a personagem em diversas oportunidades ao longo de décadas.

2- A Morte de Danton (1977)

O sucesso comercial e de crítica de Apareceu a Margarida, rendeu ao diretor um passe livre para uma série de experimentações através de espetáculos e autores como Flávio Márcio (Pequeno Dicionário da Língua Feminina e o celebrado Reveillon), Aldomar Conrado (O Vôo dos Pássaros Selvagens), José Antônio de Souza (Crimes Delicados) e do próprio Athayde (Um Visitante do Alto e Manual de Sobrevivência na Selva), mas, em 1977, Freire-Filho enfrenta seu primeiro fracasso retumbante, A Morte de Danton, de Georg Büchner (1813-1837), encenado num canteiro de obras na construção de um futuro metrô no Rio. A partir daí, ele adota a imagem de um diretor fora dos esquemas comerciais.

3- Moço em Estado de Sítio (1981)

O equilíbrio entre a experimentação cênica e o sucesso comercial surgem com a obra assinada por Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974). Premiada, a encenação repõe o diretor nas graças da crítica e atinge um público jovem pelo caráter experimental e elenco também jovem.

4- Mefisto (1985)

Embora tenha iniciado o processo de imersão no mercado latino americano fora do Brasil em 1979, com a montagem argentina de Crimes Delicados, foi nesta encenação do clássico de Klaus Mann-Arianne Mnouchkine, que o diretor se sagra um dos nomes mais importantes do teatro latino americano. Encenado em parceria com os atores da Comédia Nacional do Uruguai, a obra ficou em cartaz por dois anos e garantiu a Freire-Filho uma série de prêmios internacionais pela montagem considerada uma das mais complexas de sua trajetória ao longo de 12 anos. As experimentações o levaram para além-mar em bem sucedida montagem de Sua Mãe, Sua Filha, de Guimarães Rosa (1908-1967) em Amsterdã.

5- A Mulher Carioca aos 22 Anos (1990)

Espetáculo oriundo do livro homônimo publicado em 1937, A Mulher Carioca aos 22 Anos é um dos espetáculos mais importantes não apenas da trajetória do diretor, mas também do teatro carioca. A obra inaugurou a Cia. Centro de Construção e Demolição do Espetáculo e foi responsável por revitalizar o Teatro Glaucio Gill, no Rio de Janeiro. Encenado a partir da íntegra do romance de Mineiro, a obra foi a responsável por dar espaço a artistas que já vinham em franca produção até então, mas tiveram na obra seu grande sucesso comercial, entre eles Malu Valle, Orã Figueiredo e Duda Mamberti. A obra garantiu ao diretor seu primeiro Prêmio Shell.

6- Lampião, O Rei Diabo do Brasil (1991)

No mesmo Teatro Glaucio Gill, dá início a uma série de pesquisas biográficas que renderia uma bem sucedida trilogia a partir das vidas de Virgulino Ferreira (1898-1938), o Lampião, Getúlio Vargas (1882-1954) e Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes. Lampião – O Rei Diabo do Brasil foi a obra inaugural dessa série que levou o diretor para encenações ainda menos experimentais, mais ainda poéticas e significativas.

7- Hamlet (2008)

Estrelada por Wagner Moura, a montagem não foi necessariamente um sucesso de crítica, mas foi responsável por promover a aproximação do público jovem com a obra de Shakespeare ou adicionar signos modernos e tecnológicos à tragédia do bardo inglês. A obra deu início ao desejo de uma montagem moderna dos títulos de Shakespeare, e rendeu ainda uma encenação elogiada de Macbeth, estrelada por Renata Sorrah.

8- Incêndios (2013)

Um dos clássicos da dramaturgia moderna, a obra chegou aos palcos em 2013 e se sobressaiu como um dos principais espetáculos da temporada por tratar temas como a necropolítica, as ditaduras históricas e a evolução das relações familiares, promovendo não apenas uma modernização da fórmula do diretor, mas também um passo à frente em sua dinâmica de encenar.

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