Tigresa Sônia Braga chega aos 70 anos com trajetória relâmpago e essencial para o teatro brasileiro

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Antes de ser alçada ao estrelato internacional em 1985 com o lançamento de O Beijo da Mulher Aranha, filme essencial da obra do diretor argentino (radicado no Brasil) Hector Babenco (1946-2016), a paranaense Sônia Maria Campos Braga já era um dos nomes mais famosos do Brasil graças à passagem por novelas do quilate de Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972) e os sucessos arrasa quarteirão Gabriela (1975) e Dancin’ Days (1978).

Contudo, antes de se tornar uma das atrizes do primeiro time das artes cênicas brasileiras a nível (inter)nacional, Sônia Braga já era figura mítica no teatro carioca, após se impôr como um dos grandes nomes dentro da histórica montagem de Hair, no Rio de Janeiro.

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Combativo e repleto de apologias a um estilo de vida hippie e desapegado que ia completamente na contramão do avanço da máquina capitalista que injetou gás na roda viva do mercado da globalização em meados da década de 1960, o musical de James Rado e Gerome Ragni foi a sensação do teatro carioca em 1969, elevando ao estrelato nomes como Antônio Fagundes, Ney Latorraca, José Wilker (1944-2014) e Ivone Hoffman, além da própria Sônia, alçada a musa contracultural do teatro carioca entre as décadas de 1960 e 1970 e usa de Tigresa, uma das canções mais celebradas de Caetano Veloso.

Embora não tenha estrelado outra peça com a mesma importância histórica, Braga compôs ainda o elenco de A Teoria na Prática é Outra, de Ana Diosdado, que, embora não tenha cravado nome na longa história do teatro brasileiro, foi um dos motores propulsores para a turnê do disco Para Iluminar a Cidade, título seminal da obra do músico carioca Jorge Mautner.

Com passagem derradeira no infantil No País Dos Prequetés, de Ana Maria Machado, em 1979, quando colhia os louros da fama adquirida pelas telenovelas da Rede Globo e no cinema, em obras como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) e A Dama da Lotação (1978), Braga não voltou mais à cena carioca..

Depois, se tornou história a carreira de Braga em filmes e séries norte americanas. É uma pena, contudo, que, com o currículo de tamanha importância, a artista não tenha (ainda) se dedicado a uma carreira nos palcos da Broadway, ou mesmo ensaiado um retorno aos palcos tupiniquins em companhia de grandes companhias, como o Grupo Tapa e a Companhia Brasileira de Teatro, apenas para citar dois nomes de máxima importância para o teatro moderno brasileiro.

Também não seria difícil imaginar a artista em papéis de máxima importância teatrais, como Amanda Wingfield de O Zoológico de Vidro (de Tennessee Williams) ou mesmo uma Martha, de Quem tem Medo de Virgínia Woolf (de Edward Albee), apenas para citar dois exemplos de papéis fortes que caberiam a uma atriz com o passe internacionalmente disputado como Braga.

Entretanto, mesmo com passagem relâmpago pelo tablado, é impossível desvencilhar o nome de Sônia Braga da história do teatro patropi, uma vez que a força cênica desta atriz septuagenária se tornou mítica para a valorização deste espetáculo num período essencial para a transformação do teatro moderno.

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