Último galã, Tarcísio Meira sai de cena como o ator épico que uniu teatro e TV

Com poucos espetáculos no currículo, ator fez de suas passagens pela TV um grande tablado

Publicado em 12/8/2021
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A saída de cena de Tarcísio Meira (1935-2021) aos 85 anos, vítima de complicações da Covid-19, na manhã desta quinta-feira, 12, apaga a luz de uma das figuras mais importantes para a construção e perpetuação da figura do clássico galã para a teledramaturgia nacional.

Diferente de seu colega e amigo, Paulo José (1937-2021), que saiu de cena na noite anterior, Meira imprimia tom épico e teatral às personagens que desempenhou ao longo de mais de 50 anos como um dos principais atores da teledramaturgia nacional.

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Embora tivesse passagens esporádicas pelo teatro, Meira foi figura essencial para a assimilação na memória nacional do registro teatral, que aproximou as grandes plateias da dramaturgia do século XX.

Mesmo personagens de acento mais romântico eram carregadas de matizes de seus anos à frente de espetáculos como Quando as Paredes Falam (1956), de Ferenc Molnár (1878-1952), Toda Donzela tem um Pai que é uma Fera (1964), de Gláucio Gil (1932-1965), e, claro, Calígula (1962), de Albert Camus (1913-1960) e representante máximo da virilidade cênica de um ator.

Sua paixão pela eterna companheira Glória Menezes rendeu na TV uma série de parcerias icônicas, repetidas duas únicas vezes em cena. A primeira em 1976, no estrondoso sucesso de público e crítica Tudo Bem no Ano que Vem, de Bernard Slade (1930-2019), e em 1996, com a sequência da obra, E Continua… Tudo Bem, do mesmo Slade, que propõe um reencontro da história original.

Este foi o último espetáculo do ator antes de adotar hiato dos palcos que durou quase duas décadas. O período foi quebrado quando, em 2015, a convite de Kiko Mascarenhas e Ulysses Cruz, aceitou estrelar a primeira montagem nacional de O Camareiro, espetáculo de Ronald Harwood (1934-2020), que originou filmes estrelados por Albert Finney (1936-2019) em 1983 e Anthony Hopkins e Ian McKellen em 2015.

Por sua interpretação do magnânimo Sir, Meira recebeu o primeiro Prêmio Shell de sua carreira, além de reacender seu desejo pelos palcos, há muito adormecido. O espetáculo enfrentou uma pausa longa de pelo menos três anos, quando compromissos na TV e uma infecção pulmonar fizeram com que o artista voltasse a adotar o que, em sua concepção, não seria mais um longo hiato.

E em 2019, Meira reestreou O Camareiro em temporada menos imponente que a de estreia, mas ainda assim mantendo viva a chama deste ator de tom épico e clássico ,que fez com que milhares de espectadores se apaixonassem essencialmente por um ator de teatro fazendo aquilo que mais gostava de fazer independente da mídia: teatro.

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