O Desmonte - Foto: Letícia Godoy
O Desmonte - Foto: Letícia Godoy

Quando a pandemia do novo Coronavírus  exigiu que  sociedade adotasse medidas de isolamento social a fim de conter a disseminação do vírus pulmonar que já fez mais de 140 mil vítimas em todo o Brasil, Vitor Placca já discorria sobre as dores e delícias do autoexílio com a encenação de O Desmonte, peça de Amarildo Félix sobre um homem que optava pelo autoexílio após o fim de um relacionamento e encontrava uma lufada de ar fresco em sua vida após a visita indesejada de um rato.

A necessidade de caçar o roedor leva a personagem a refletir sobre a vida e o exílio ao qual se impôs, repensando assuntos como a companhia dos amigos, a saudade, a dor do abandono e outro assuntos que permeiam este autointitulado poema épico que, em meados de setembro, ganhou adaptação digital em cartaz até 30 de outubro, com transmissão via YouTube e Facebook.

A adaptação online ganha significativa força quando o conceito do espetáculo é adaptado à contemporaneidade não apenas da pandemia, mas da precoce reabertura de bares e comércios e novas aglomerações em meio a uma da maiores crises sanitárias da história da humanidade moderna.

Toma novos contornos o isolamento da personagem de Placca, que se vê confrontado não apenas pelo desejo de vida e cura instantânea proposta por seus amigos, mas também de aderir a uma normalidade imposta pelo desejo de liberdade de outras personagens.

A adaptação online dá passo adiante nas investigações cênicas ao optar por estética plástica que dá ar (de fato) cinematográfico ao espetáculo, com direito a afiados cortes ao vivo e uma troca fluida de cenários e espaços cênicos.

Ponto para a ótima direção de arte de Antonio Vanfil que, aliado à luz desenhada por Thiago Capela e a videoarte de Flávio Barollo potencializa a experiência cênica online fugindo a obviedades e resultando, de fato, poética.

Ambientada no apartamento de Placca, a encenação, assinada por Amarildo Félix, é inteligente ao investir na beleza plástica do filtro cinematográfico, atenuando o tom excessivamente preciosista e grandiloquente do texto.

Bom ator, Vitor Placca também contribui para aparar as arestas da dramaturgia, que parece levar a personagem num ciclo repetitivo e cansativo. Entretanto, este é detalhe menor no resultado final de O Desmonte, bonita encenação de tom introspectivo que ganha contornos mais críticos e contemporâneos nesta (boa) adaptação digital.

SERVIÇO:

O Desmonte

Data: 17 de setembro a 30 de outubro (quinta-feira a sábado)

Horário: 20h

Local: Transmissão via YouTube

Preço do ingresso: Grátis