Excelente showman, Ícaro Silva dribla dramaturgia irregular para brilhar com suas Black Stars

Publicadohá pouco tempo
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Ator que se comprovou excelente showman quando tomou para si as atenções do espetáculo Elis, A Musical, em rápida aparição como Jair Rodrigues, e ganhou a plateia com sua estupenda interpretação de Wilson Simonal no musical S’imbora e no Show em Simonal, Ícaro Silva ganhou em Ícaro and the Black Stars um palco para chamar propriamente de seu.

Desde que foi alçado ao merecido estrelato por vencer o quadro Show dos Famosos, do dominical Domingão do Faustão, Silva vem construindo coerente imagem de ator e cantor, e, ao dar voz a repertório negro da melhor xepa, cresce.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Ainda que precise lidar com fiapo de dramaturgia, assinada por Pedro Brício, que também assina a direção, envolto ao longo do espetáculo, Ícaro constrói neste quase musical imediata conexão com a plateia, que só não atinge o ápice justamente pelo engessamento proposto por Brício.

Se o texto pueril não leva a encenação a frente ao propor a ideia de uma nave espacial que viaja no tempo e visita grandes momentos e astros da história musical negra ao redor do mundo, o carisma de Ícaro, quando se despe da dramaturgia, atinge o ápice, seja no papo direto com a plateia, seja na boa seleção do repertório que, a despeito de não apresentar grandes novidades, diverte e entretém – atingindo assim a proposta do espetáculo.

Ancorado pelas (ótimas) backings Cássia Raquel e Hananza, Silva vai às alturas ao sublinhar a delicadeza pop de I Want you Back, hit do grupo Jackson Five, de 1969, e o suingue latino de Candela, hino dos cubanos do Buena Vista Social Club.

Se apela para temas batidos como Descobridor dos Sete Mares (1992) e No, Woman no Cry em versão bilíngue gravada por Bob Marley (1975) e Gilberto Gil (1979), Silva também desconstrói o swing de Get Up, Stand Up (1979), e cativa com I Heard it Through the Grapevine (1968).

O espetáculo ganha contornos mais definidos de show quando recebe a deslocada participação especial de Edi Rock, do grupo Racionais MC’s, que interpretou o clássico do rap nacional Negro Drama (2002) e That’s my Way (2013), gravada em parceria com Seu Jorge.

Enfim, a despeito das amarras de uma dramaturgia pouco sólida, Ícaro Silva comprovou que está no caminho correto para a produção de seu próprio show no qual, como nos melhores momentos de Ícaro and the Black Stars, poderá ser ele mesmo.

SERVIÇO:

Data: 16 de agosto a 06 de outubro (sexta a domingo)

Local: Teatro Novo – São Paulo (SP)

Endereço: Rua Domingos de Morais, 348 – Vila Mariana

Horário: 21h30 (sextas e sábados); 19h (domingos)

Preço do ingresso: R$ 35,00 (meia) a R$ 70,00 (inteira) (sextas e domingos)/ R$ 40,00 (meia) a R$ 80,00 (inteira) (sábados)

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio