Protocolar, Bull ganha sobrevida graças a encenação e bom jogo de elenco

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É difícil imaginar os motivos que levaram nomes como Bruno Guida, Flávio Tolezani, Cynthia Falabella e Fernando Nitsch a se interessar por Bull, texto do dramaturgo inglês Mike Bartlett (bem) traduzido por Eduardo Muniz sobre o processo de bullying no ambiente corporativo.

Também é difícil acreditar que o autor da obra prima moderna Love, Love, Love possa também assinar Bull, texto protocolar e até pueril sobre como o ambiente corporativo agressivo engole pessoas com personalidade sensível e fora de padrões estabelecidos.

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Montada originalmente no Brasil em 2014, a obra chegou ao universo online na última sexta-feira, 26, em temporada transmitida do palco do Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, com a mesma equipe daquela primeira versão, há sete anos.

É justamente esta equipe, com elenco formado por Guida, Tolezani, Falabella e Nitsch, sob a direção de Muniz e Tolezani, que valorizam a obra de Bartlett e impedem que sua natureza protocolar seja sublinhada em encenação que empresta dinamismo e alguma verossimilhança às personagens, figuras caricaturais do universo corporativo que não estabelecem uma narrativa para além do pueril.

O texto narra momentos antes de uma reunião que definirá o destino de um dos três funcionários, todos candidatos à demissão. Cynthia Falabella e Fernando Nitsch dão vida a uma dupla de funcionários que pretendem prejudicar um colega que não se adapta aos padrões exigidos não apenas pela empresa, mas pelo entorno social.

A obra pretende construir o perfil de um rapaz (interpretado por Bruno Guida) sem traquejo social, divorciado e inseguro, e, de fato, consegue. A personagem de Guida é construída como uma figura que, embora tente se adequar, está sempre à margem das exigências tanto da empresa quanto de seus colegas.

Bull pretende pôr em discussão de forma sistemática temas como o oprimido que busca oprimir, a manipulação de figuras inseguras e a cumplicidade dentro do mundo corporativo, que busca não apenas engolir estas figuras, mas destruí-las.

Muito bem alinhado, o elenco estabelece jogo cênico que engrandece a proposta (valorizada ainda pelo desenho de luz cru de Aline Santini), assim como a direção busca extrair o máximo de conteúdo possível da obra, que, ao longo de uma hora de encenação, pouco oferece ao público para além de uma história protocolar e plácida. O texto não encaminha nem para a construção de uma empatia com a personagem, tampouco propõe um aprofundamento no tema retratado de forma linear.

Enfim, Bull, a despeito da ótima equipe que o cerca, é título que não se impõe nem na obra dramatúrgica de seu autor, nem nos currículos de seu elenco e equipe, soando apenas como mera obra pueril de construção pouco sedutora.

SERVIÇO:

Bull

Data 26 de fevereiro a 13 de março (sextas e sábados)

Local: Teatro Aliança Francesa – São Paulo (SP)

Transmissão online via Zoom

Horário: 19h

Preço do ingresso: Grátis

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