Centenária, Cacilda Becker ainda dita dogmas do teatro brasileiro

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MEMÓRIA – O centenário da atriz, diretora e produtora paulista Cacilda Becker (1921-1969), celebrado exatamente nesta terça-feira, 06 de abril, talvez passe ao largo do grande público, que não teve a imagem da artista imortalizada em sua mente por papéis marcantes na TV ou mesmo no cinema. Becker foi presença pouco afeita às câmeras, tendo escolhido desempenhar seu ofício exclusivamente em cima dos palcos e, eventualmente, por trás dos panos.

Como produtora, Becker também construiu carreira como articulista política a fim de lutar pelos direitos básicos de trabalho de artistas, principalmente os ligados a companhias de teatro e grupos mambembe.

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Becker é figura mítica e (quase) folclórica no imaginário teatral brasileiro, primeiro por, em 48 anos de vida, ter interpretado alguns dos papéis mais marcantes da história do teatro ocidental, sendo a principal responsável pela inserção dos dramaturgos contemporâneos no teatro nacional, encerrando uma era de montagens baseadas apenas em clássicas tragédias gregas; Segundo, por ter marcado o imaginário popular ao, como diria Rita Lee anos mais tarde: “dar a alma e o corpo para morrer em cena”.

A artista saiu de cena vítima de um derrame cerebral que interrompeu uma das sessões do clássico Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989), que a artista encenava ao lado do então companheiro Walmor Chagas (1930-2013).

Embora não tenha deixado registros sólidos de seus trabalhos para além de fotos, é consenso na memória geral que Becker foi a grande atriz que o Brasil mereceria ter tido a chance de ver em outras plataformas para além da efemeridade do teatro. A precariedade dos registros vigentes entre as décadas de 1940 e 1960 não permitiu que houvesse vídeos de obras como Quem tem Medo de Virginia Woolf e A Dama das Camélias, dois dos espetáculos mais celebrados da trajetória da artista.

Enfim, o centenário de Cacilda Becker dificilmente passaria despercebido dentro do mercado das artes, uma vez que o tamanho do talento da atriz e sua repentina saída de cena foram responsáveis por cultivar o mito em volta desta figura que, se não goza da lembrança popular, chega aos cem anos com trajetória irrepreensível e irretocável, que hoje ainda, mais de cinquenta anos após sua morte, segue norteando caminhos do teatro brasileiro.

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