Maria Alice Vergueiro - Foto: Divulgação
Maria Alice Vergueiro - Foto: Divulgação

Saiu de cena na manhã desta quarta-feira, 03, a atriz e diretora Maria Alice Vergueiro. A artista estava internada desde o final da semana passada com um quadro de pneumonia grave e insuficiência respiratória. O teste para Covid-19 deu negativo.

Com quase 60 anos de carreira, Vergueiro era considerada uma das grandes damas do teatro moderno e da contracultura brasileira, com um currículo recheado de obras essenciais para a dramaturgia patropi.

Co-fundadora do revolucionário Teatro do Ornitorrinco (ao lado de Cacá Dosset e Luiz Roberto Galízia), Maria Alice Vergueiro trabalhou ainda em obras produzidas por grupos como o Teatro de Arena, sob a direção de Augusto Boal, e o Oficina, comandado por José Celso Martinez Corrêa.

Nos palcos, deu vida a personagens icônicos, como a Mãe Coragem (2002) de Bertolt Brecht e a prostituta Jenny em A Ópera dos Três Vinténs (1964), também do dramaturgo e poeta alemão. Compôs o elenco das montagens históricas de O Rei da Vela (1967) e Galileu Galilei (1975), com o Oficina, Ópera do Malandro (1978), de Chico Buarque de Hollanda, e O Avarento (1998) com o Ornitorrinco.

Sua última incursão pelos palcos foi na peça Why the Horse?, produção de seu grupo Pândegas, baseada nas obras de Alejandro Jodorowsky, Fernando Arrabal e Samuel Beckett e montada em 2016. Na obra, a artista encenava eu próprio velório e retratava sua luta contra o Mal de Parkinson, que a acompanhava por mais de 10 anos.

Em 2018, Vergueiro foi tema do documentário Górgona, no qual Fábio Furtado e Pedro Jezler fizeram um apanhado de sua carreira e de sua vida, além de traçarem um panorama sobre as crenças e ideologias da atriz. Na internet, se tornou uma espécie de precursora dos memes ao protagonizar o curta Tapa na Pantera, de 2006, com texto e direção de Rafael Gomes.

Conhecida como dama indigna do teatro tupiniquim (excerto da obra A Velha Dama Indigna, de Brecht, montado em 1988, sob a direção de Cacá Rosset), Maria Alice Vergueiro sai de cena como uma persona maldita, que escolheu traçar caminhos que a levaram na contramão da construção da figura de uma dama intocável das artes cênicas brasileiras.