Dama indigna do teatro moderno, Maria Alice Vergueiro sai de cena aos 85 anos

Publicadohá pouco tempo
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Saiu de cena na manhã desta quarta-feira, 03, a atriz e diretora Maria Alice Vergueiro. A artista estava internada desde o final da semana passada com um quadro de pneumonia grave e insuficiência respiratória. O teste para Covid-19 deu negativo.

Com quase 60 anos de carreira, Vergueiro era considerada uma das grandes damas do teatro moderno e da contracultura brasileira, com um currículo recheado de obras essenciais para a dramaturgia patropi.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Co-fundadora do revolucionário Teatro do Ornitorrinco (ao lado de Cacá Dosset e Luiz Roberto Galízia), Maria Alice Vergueiro trabalhou ainda em obras produzidas por grupos como o Teatro de Arena, sob a direção de Augusto Boal, e o Oficina, comandado por José Celso Martinez Corrêa.

Nos palcos, deu vida a personagens icônicos, como a Mãe Coragem (2002) de Bertolt Brecht e a prostituta Jenny em A Ópera dos Três Vinténs (1964), também do dramaturgo e poeta alemão. Compôs o elenco das montagens históricas de O Rei da Vela (1967) e Galileu Galilei (1975), com o Oficina, Ópera do Malandro (1978), de Chico Buarque de Hollanda, e O Avarento (1998) com o Ornitorrinco.

Sua última incursão pelos palcos foi na peça Why the Horse?, produção de seu grupo Pândegas, baseada nas obras de Alejandro Jodorowsky, Fernando Arrabal e Samuel Beckett e montada em 2016. Na obra, a artista encenava eu próprio velório e retratava sua luta contra o Mal de Parkinson, que a acompanhava por mais de 10 anos.

Em 2018, Vergueiro foi tema do documentário Górgona, no qual Fábio Furtado e Pedro Jezler fizeram um apanhado de sua carreira e de sua vida, além de traçarem um panorama sobre as crenças e ideologias da atriz. Na internet, se tornou uma espécie de precursora dos memes ao protagonizar o curta Tapa na Pantera, de 2006, com texto e direção de Rafael Gomes.

Conhecida como dama indigna do teatro tupiniquim (excerto da obra A Velha Dama Indigna, de Brecht, montado em 1988, sob a direção de Cacá Rosset), Maria Alice Vergueiro sai de cena como uma persona maldita, que escolheu traçar caminhos que a levaram na contramão da construção da figura de uma dama intocável das artes cênicas brasileiras.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio